sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um panamá sevilhano em Lisboa

Um panamá sevilhano em Lisboa

Há coisa de dois meses recebi um e-mail diferente. Alguém que me dizia ter um panamá em casa e que, caso eu achasse o dito chapéu interessante, se disponibilizava para ser fotografado. Respondi a agradecer a proposta que me via forçado a declinar. Apenas por este blogue viver, acima de tudo, de pequenos encontros reais precedidos por algo a que nem muito remotamente me agrada chamar selecção. E ainda ontem me perguntaram:
- O que é preciso para aparecer no Alfaiate?
Juro que já não sei o que respondi. E nesta fotografia bem que podia estar quem me escreveu tão gentil e-mail. Mas não está. É Antonio Alvear. Que me falou da vida, das mulheres (das sevilhanas em particular) e da casa que estou, desde aquele momento, convidado a visitar. A ele este post, mas também a quem me decidiu escrever, há dois meses atrás.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Zé da bina





Querem uma assim? Este artigo explica-vos o quê, onde e porquê. E se tudo o que vos faltava era um pretexto…arranca hoje um. Dos bons … o Bicycle Film Festival

Mas faça-se justiça ao Zé. O Zé não é apenas o rapaz da bina (mais gira de Lisboa). O Zé é também o rapaz daquele logótipo ali de cima com a perninha do O a fugir para o E. Se já me gabo de o ter aprovado, imagino o que não me gabaria se o tivesse desenhado

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Smells like Kanye West

Smells like Kanye West

Mais que um ser branco e outro preto… a grande diferença entre mim e o João é que eu, vestido assim, pareceria parte de uma boys band. O João parece o Kanye West. Sacana do João

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Aperitivo al Duomo - The simpler the better



A t-shirt. Para mim é a t-shirt. Eu sei…esta lá a eterna combinação do “azul, branco, encarnado” e um capacete impecavelmente condicente com o par de calçado. Mas para mim é a t-shirt. Tenho amigos que ainda as escolhem como quem elege um poster para ter no quarto. Pessoalmente dispenso grandes sentenças ou ilustrações; preocupo-me com o corte. Mas não é fácil encontrá-lo. Restam-me as dicas do meu amigo João Diogo, que com apenas uma tesoura na mão, ataca golas claustrofóbicas e mangas pesadonas. João…fazes-me uma assim?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Luigi - O arco-íris em Milão

124 - Luigi - O arco-íris em Milão 124 - Luigi - O arco-íris em Milão (2)

Não consigo conter a excitação. O Luigi ainda não tinha voltado costas e já enviava uma sms à minha irmã a descrevê-lo da cabeça aos pés. Tudo me impressionou: cada peça, cada acessório, o porte, o charme, até a masculinidade imaculada que aquelas cores não conseguem beliscar. “Quando for grande quero ser como ele”, dou comigo a pensar. Se o Alfaiate acabasse hoje dormiria descansado. Mas quem é que eu estou a tentar enganar… acabar? O tanas. Já está para além do meu controlo.
Até amanhã

domingo, 30 de agosto de 2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cinque Terre (Corniglia) - Yim



(se não se importam deixo os trapos de lado por um post)

Este miúdo foi a pessoa mais especial que conheci. Começo por desconfiar disso pelos motivos mais fúteis. Dei-me conta que, entre o grupo de viajantes solitários que se juntou espontaneamente em Florença, o Yim goza duma enorme popularidade entre as raparigas. Sempre me senti fascinado por aqueles tipos que, sem terem necessariamente a tromba do Narciso ou a volumetria muscular do Adónis, quase me fazem acreditar que o amor, o jogo de sedução ou o mais tacanho dos engates se regem por uma espécie de meritocracia onde se safa melhor o mais interessante ou bem formado, mesmo quando não exibe necessariamente a largura de ideal entre ombros, os lábios mais carnudos ou o olhar mais vibrante.

O Yin foi-me apresentado como “Jim from Amesterdam” mas à primeira conversa direita que tenho com ele a minha presunção pseudo-sociológica assume que aquele gajo não pode descender de um emigrante asiático bem sucedido na Holanda. Pergunto-lho pelas suas origens e ele explica-mas com a naturalidade de quem passou uma vida inteira a fazê-lo. O Yim nasceu na Coreia do Sul e foi abandonado pela mãe num orfanato. Aos 3 meses é adoptado por um casal holandês que, 3 anos depois, decide a repetir a experiência com uma criança da Serra Leoa. “So it’s me and my black brother” conclui sorridente. Vem-me à lembrança uma amizade holandesa de olhos em bico que fiz em miúdo na praia da Calada e ocorre-me o pensamento saloio:
- That’s normal in Holland!
Ele ri-se, abana a cabeça, explica o quão pouco convencional consegue ser a sua família no bairro finório de Amesterdão onde vive e, com uma gargalhada apenas, deita por terra a minha concepção de admirável mundo novo holandês.

O Yin seguiu para Cinque Terre com o Mike. Apetece-me gozar mais um dia de Florença e prometo que me junto a eles no dia seguinte. Já achei mais graça às histórias sobre as acrobacias horizontais que o Mike protagonizou com metade das cheerleaders da sua equipa de futebol americano e declino delicadamente seguir com ele para Nice. No fundo fico feliz por ficar eu e o Yin. Quando se espera da amizade um sentimento de partilha e compreensão mútua que a idade torna casa vez mais rara, fico contente por, mesmo com a leve barreira linguística de permeio, me sentir capaz de reviver tais partilhas. Passamos as noites a trocar os cromos das nossas sortes enquanto partilhamos uma garrafa de branco, ouvimos os grilos e balançamos as pernas sobre o mar, sentados na torre da minúscula Corniglia. E é aí mesmo que na ultima noite, meio vindo do nada, o Yim me conta que perdeu o pai faz dois meses. Penso nas 1001 perguntas que lhe fiz sobre a família e toda a curiosidade parola que demonstrei pelo seu suposto exotismo. Numa viagem onde toda a gente me conta a sua vida pessoal, sexual e afectiva após 10 minutos de conversa este gajo precisou de quase uma semana para me contar aquilo que lhe devia tomar o pensamento em todos os momentos que o apanhei a cismar. E sabem que mais...os Clã que me desculpem mas os versos "A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém" não se adequam aqui. Falar inglês não me ajuda e acabo por experimentar o meu maior problema de expressão. No dia seguinte despedimo-nos entre o bulício da estação de Milano Centrale. Olho para trás e sinto um misto de tristeza e remorso por não ter pousado a mochila antes de o abraçar

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Cinque Terre (Vernazza) - Un bello ragazzo italiano (visual mediterrânico)

Look mediterrânico
Un bello ragazzo italiano

Cinque Terre é um sítio especial. Cinco pequenas localidades ligadas por trilhos relativamente estreitos desenhados nas escarpas que caiem sobre o Mediterrânico. Comento com o Yim – de quem vos conto vir a falar – que tenho pena de não ter encontrado ainda ninguém para fotografar. Tenho centenas de fotografias pessoais mas já que fiz questão de vos trazer aqui a minha viagem seria uma pena não ter ao menos uma desculpa para vos falar desta terra. Tenho por resposta imediata:
- Man…you have to find a beautiful girl to your blog.

Encontro-a minutos depois. Está com o namorado. Faço aquele exercício saudável de me pôr na pele dos outros; imagino-me a olhar de lado para qualquer cromo que me aparecesse à frente a dizer que gostaria de fotografar a minha namorada e acabo a sugerir (inspirado por aquela célebre máxima do Lavoisier e por umas calças brancas que nunca me consegui convencer a usar)…fotografá-lo a ele

domingo, 23 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Australian girls are awesome

Australian girls are awesome
Emma

É impossível estar em Florença e não pensar naqueles velhotes deliciosos enfiados em fatos impecavelmente talhados à sua medida, nos lenços na lapela que usam com a mesma naturalidade que nós usamos gravatas e nas meias de cores mais garridas que as colecções da Agatha Ruiz de la Prada. Um editor de moda do la Repubblica recorda-me: “Firenze non è Pitti Uomo”. É verdade, a rua mostra uma realidade completamente diferente. Até um homem de casaco se torna difícil de encontrar. Não os censuro. Estão 37ºC e uma humidade insuportável. Olho à volta e só vejo turistas. Mini-saias, havaianas, alças, bíceps desnudos, decotes suados e ombros descobertos. A Emma aparece à minha frente. Olho para ela e pergunto-me:
- Mas afinal de contas…do que é que te estás a queixar?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Florença - Vestido turquesa

turquesa / turquoise

Já lá vão mais de vinte anos. Saímos para jantar numa noite de Verão. Por cima da pele morena a minha mãe levava um vestido turquesa. Desde esse dia que não há cor que goste mais de ver numa mulher

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

48 horas bipolares

Fui de propósito a Génova comprar uma máquina nova. Achei que já que tinha que o fazer, que fizesse um pequeno upgrade…e acabo a gastar um ordenado inteiro numa máquina e lente novas. Não é que sejam excepcionais, eu é que também não ganho muito (sei que o meu director volta e meia visita o blog e eu, na verdade, nunca fui conhecido por ser um gajo subtil…)

Cheguei a Cinque Terre tarde de mais para conseguir alojamento e acabo a implorar para ficar no último sítio onde planeava ficar – parques de campismo. Mesmo com a máquina nova, parece que ainda vivo o momento da noite anterior, e ser rejeitado por não ter tenda começa a deixa-me a moral debilitada. A ideia de me deitar na praia e acordar a meio da noite a ser pontapeado por algum Carabinieri mal disposto não me seduz particularmente e acabo a capitalizar o pouco charme que me resta para convencer o casal de recepcionistas dum dos parques de campismo a deixar-me pagar para dormir ao relento.

Não adianta negá-lo…isto de viajar sozinho é muito bonito mas quando algo corre verdadeiramente mal, ou gastamos meia hora de roaming com o nosso melhor amigo, ou arriscamos uma vulnerabilidade extrema. (apesar de não ser novidade) Dormir ao relento, no meio de famílias em tendas e auto caravanas a olhar-me de lado, com a máquina nova dentro do saco-cama cujo fecho acabo de descobrir que está estragado, não é propriamente a imagem que tinha para as minhas férias.

Na manhã seguinte conheço um Finlandês. A empatia é imediata e o reconforto social anima-me de imediato. Chego a equacionar juntar-me a ele em direcção a Roma mas acabo a seguir por minha conta. Já em Florença procuro um sítio para jantar fora da confusão turística e dou com um belo terraço cheio de italianos. É deste terraço que vos escrevo. Um grupo de florentinos convida-me a brindar com eles e dou comigo a recordar que em Itália, as mulheres bonitas reparam em mim mais que em qualquer outro país (atire a primeira pedra quem nunca encontrou conforto na atenção de estranhos) mas isso, ao invés de me despertar a libido, traz-me à memória apenas aquilo que mais preciso para me animar; quando se viaja sozinho, apenas se está só na medida em que se o deseja. Olho para as últimas 48 horas e, já com a cara de parvo que tão bem me caracteriza, sorrio ao recordar aquela célebre frase da mãe do Forrest Gump: “Life's a box of chocolates, Forrest. You never know what you're gonna get”

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O meu principado por uma máquina fotográfica

Montecarlo

Os dois holandeses de quem fiquei amigo após meia hora de conversa começam a sentir a mesma náusea de que já me venho a queixar. Ali nada soa real ou humano, tudo me parece importado duma janela do Photoshop. Mas o Frisos continua a contabilizar os Lamborghinis e o Julian os Maybachs que não param de passar. Um deles berra qualquer coisa. Desconfio que acabaram de ver o Bugatti que lhes faltava encontrar. No momento em que me volto parece haver um desencontro de vontades entre as ordens do meu cérebro e os reflexos musculares da minha mão direita. A máquina cai. Entre a lente e o corpo não parece haver sobra que se aproveite. 10 segundos depois estou de rabo no chão e mãos na cabeça. Penso nas paredes do meu quarto forradas com gente que conheci nas minhas viagens, na felicidade inusitada que a porcaria dum blog me tem trazido e, principalmente, em tudo o que comprometi ao insistir fazer esta viagem sozinho. É exigir de mais a quem não me conhece que compreenda, mas dou comigo a questionar metade das decisões que tomei no último meio ano. Acabo sensibilizado, primeiro com os impropérios internacionais que oiço à minha volta, e depois, com o silêncio fraterno e as palmas das mãos que sinto nas costas. Digo-lhes que dificilmente conseguiria imaginar um momento como aquele sem lágrimas nos olhos. O telemóvel toca. É a namorada a quem ainda não consigo chamar ex. Já com a visão turva pergunto-lhes:
- What did I just tell you?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

Smells like Saint-Tropez

Saint-Tropez

Saint-Tropez tem pelo menos duas coisas em comum com a Rua Garret. Muita gente para fotografar e pouco espaço para o fazer discretamente. Guardei a máquina na bolsa e só a tirei quando vi este senhor. Lembram-se se ter falado em pólos Lacoste numa esplanada de Saint-Tropez?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O outro lado de Cannes

Cannes
Cannes
Cannes





Não lhe consigo achar metade do charme que lhe encontrei quando ali passei há dez anos. Temos um jantar mas ainda há tempo para dar uma volta pela cidade. Até as praias privadas abarrotam de gente. Sinto que estou numa feira de vaidades e perco a vontade de fotografar quem quer que seja. Estes miúdos parecem as únicas duas pessoas naquela cidade a agir descontraidamente. Curiosamente estão a treinar no topo da passadeira que serve de entrada ao festival que faz da cidade mundialmente famosa

O jantar é ao livre. O sitio é brutal. O ambiente é eventualmente um pouco mais cagão do que conseguiria suportar em Lisboa mas ali estou óptimo. Dou graças por me ter lembrado de juntar uma camisa de linho à dúzia de t-shirts de alças que trouxe comigo e vou desfrutando alegremente das atenções de que sou alvo. Não há uma única pessoa sóbria naquela mesa e não consigo deixar de ter a sensação de estar a apanhar uma bebedeira com o grupo de amigos dos meus pais. Há um tipo que se levanta e diz, em tom de ordem, que estamos todos convidados a ir dar uma volta no seu barco. São 3h da manha e estou a fazer a baía de Cannes. Só mesmo uma noite como esta torna possível gostar tanto de passar por uma cidade da qual se gostou tão pouco

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(voilà le capitaine)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

United Colours of Croisette

United Colours of Croisette

A essência de viajar sozinho não assenta necessariamente em nenhum exercício de misantropia ou qualquer deficit de amigos. Baseia-se essencialmente no puro gosto de viajar sem ter que dar satisfações a ninguém sobre as possibilidades mais absurdas de itinerários que nos ocorrem a cada momento e, essencialmente, pelo potencial de conhecer pessoas novas que representa. Sendo que tenho por “pessoas novas” um conceito bem mais amplo que meia dúzia de gajas boas com fetiches por tipos de mochila as costas. A Joëlle e o Jean-Philippe sorriem para mim mal atiro a mochila para cima do banco. São parisienses e estao a passar as férias na sua casa de praia e têm uma outra numas imediações rurais de Paris onde costumam passar os fins-de-semana. E ao que parece é aí que um tal Toni lhes cuida do Jardim. Recordo-lhes que isso me faz lembrar uma frase do Jean-Marie Le Pen na qual dizia não ter nada contra portugueses...que inclusive tinha alguns a trabalhar no seu jardim. E a conversa continua divertida

Tinha conseguido uma reserva de última hora para 3 noites em Cannes. Dizem-me que não há tanto que ver para 3 dias. Respondo-lhes que quero descansar e tentar viver um pouco das cidades por onde passo. Vou à casa de banho. Quando regresso a Joëlle pergunta-me se não quero ficar com eles. Digo-lhes que não percebo nada de jardinagem. Riem-se e insistem. Asseguram-me que me mostram o que de mais importante houver para ver. Para desgosto da minha mãe tenho mais de sociável que educado; já liguei para Cannes a cancelar

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Marselha - Por falar em Oriente



Não estou acostumado a grandes burburinhos quando digo que sou português, havia ali qualquer coisa a escapar-me... Três delas apontam imediatamente para a amiga e gritam em uníssono num misto de histeria e brincadeira:
- Her boyfriend is portuguese!!
Do Funchal especificou a sortuda. Estas quatro chinesas, que eu assumi japonesas ou sul-coreanas como a esmagadora maioria dos viajantes orientais que com que me cruzo, vivem em Londres. Expliquei-lhe que Lisboa consegue ser uma cidade muito familiar e que, no limite, se o seu namorado tivesse feito escala em Lisboa antes de aterrar em Londres, as probabilidades de nos termos conhecido um dia, quem sabe naquele bar da 24 de Julho onde nos tempos de faculdade devo ter bebido uma ou outra poncha (ou assegurado que aqueles que a beberam tinham alguém 100% cool que os levasse a casa) não eram tão remotas como ela poderia julgar. Antes de nos despedirmos ainda fui a tempo de não perder uma oportunidade única de me gabar que colaboro com uma revista chinesa e, claro está, de tirarmos uma fotografia comigo ali no meio. Uma das mais giras que tenho até agora por sinal

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Hendaye - Look colonial

Jean

O revisor confirmou-me:
- Entra uma pessoa em Coimbra e sai em Vitoria. E lá entra outra.
Resumindo, salvo alguma reserva de ultima hora, aquele compartimento com capacidade para 8 pessoas (pelos padrões de conforto da já certamente longínqua data de fabrico do Sud-Expresso) estava, à partida, a 1/4 da sua lotação.A Iara não devia ter mais que 17 anos e tudo o que disse com convicção foi que Coimbra era um monte de escadas e paredes. Perante tanta assertividade limitei-me a sorrir e pensar que o meu avô materno e todo o seu clã que estudou ou leccionou, viveu ou morreu em Coimbra dificilmente me perdoaria grandes cumplicidades com aquela miúda.
4h
- Adios Iara. Buenas vacaciones.
Antes de voltar a por a venda amaricada com que os meus amigos gozam mas que tantas horas de sono em viagem me assegura ainda vi entrar o Jean. Com um olho semi-cerrado e outro bem remeloso ainda consegui pensar "Este gajo parece saído do Africa Minha". Cumprimentei-o e voltei a dormir. Já a chegar Hendaye descobri que o Jean, entre copos e entrevistas a músicos, tinha estado a cobrir o Festival Internacional de Jazz da capital basca mas que a sua principal ocupacao era afinal, leccionar Linguística, Tradução e Estudos Afro-americanos na Sorbonne. Cinco minutos depois e já fazíamos pontos de situação da vida amorosa de cada um. A conversa ficou a meio mas durou o suficiente para ficar a saber coisas que sou capaz de jurar que nem alguns dos seus melhores amigos sabem. Ainda que a distância e o anonimato tenham sido motivos maiores que qualquer simpatia pela minha pessoa não consigo deixar de me sentir lisonjeado. O Jean regressa a sua Paris e eu sigo para a Côte d`Azur. Antes do abraço ficou a foto

quinta-feira, 30 de julho de 2009

De partida



Provavelmente já se terão dado conta que os últimos posts andam menos lusos que o habitual. Estou de partida e, à medida que a contagem decrescente para as minhas férias avança, vou ficando mais sensível a todos aqueles que pairam por Lisboa como eu anseio pairar por outros lugares. Aquilo que vai volta e, graças a isso, vou de certeza poder contar com a mesma ajuda que estas duas dinamarquesas estavam a precisar quando as encontrei. Achei que esta imagem plena de espontaneidade seria o melhor pincel possível para ilustrar o desejo que me leva a pôr uma mochila às costas e fazer uma reserva para o meu primeiro dia de férias. Há sempre o risco de me roubarem a máquina, perder os cartões de memória e mais um sem número de possibilidades azaradas mas, pela parte que me toca, com mais ou menos fotografias, encontramo-nos por aqui

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Flower power



Acerca do estado norte-americano do Utah acho que só me via capaz de manter duas conversas. Sobre a equipa da NBA dos anos 90 (e as assistências do John Stockton e os afundanços do Karl Malone em particular) e uma comunidade religiosa conservadora maioritária. Como ela percebia tanto de basquetebol quanto a imagem sugere ficámos-nos pela minha curiosidade religiosa. Ainda fui a tempo de cometer a prodigiosa bacorada de confundir Mórmones e Amishes mas depois de meia dúzia de desculpas atabalhoadas lá voltei à carga com a minha abelhudice ecuménica.

Acabei a descobrir, entre outras coisas, que é possível ser uma mórmon orgulhosa, irmã de um dos muitos Elders que andam pelo mundo inteiro em Missão (Portugal incluído), ter bebido o primeiro copo de vinho da sua vida na véspera desta fotografia ser tirada e, ser fã incondicional do Obama, pró-casamento gay e demonstrar uma curiosidade detalhada acerca do enquadramento legal das drogas leves no nosso país ("it says something about a country doesn't it?"). Sinceramente acho que não varria tantas ideias pré-concebidas desde aquela noite em que dei boleia a um casal de Iranianos entre o Bairro alto e o Lux.

No fundo...wasn't just about the flowers was it?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aninhas

Aninhas

Há muito que andava desejoso por tirar “esta” fotografia. Só não tinha imaginado uma mãe tão nova e bonita. Mas não foi preciso nenhum piropo fácil para que a Aninhas sorrisse. Como não lhe foi preciso pedir que se agarrasse à barriga para que ela o fizesse. Caí redondo na felicidade autista de quem ficou em mãos com tão bonita publicação. Tão redondo que me esqueci de perguntar quem aí vinha e quanto tempo faltava para chegar

Se este blogue fosse todo ele sobre moda ficava-me pela forma como o colorido da fita, da saia, do top e das tranças giravam em torno dos seus olhos e do seu sorriso. Mas como é um bocadinho mais que isso confesso-vos o seguinte. Mostro algumas destas fotografias à minha irmã com a mesma excitação com que, antes de sair de casa para uma ocasião importante, costumava passar no quarto dela e lhe perguntava:
- Achas que vou bem?
A minha irmã reconheceu a Aninhas. Parece que lhe fez um dia a única trança de tecido que já teve no cabelo. E pela 1ª vez me respondeu:
- Vais bem Zé, vais muito bem.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

E vão 100 posts – Rectângulos azuis-claros em fundo cinzento



Para mim, 6 meses de existência e 100 posts são motivos mais que suficientes para serem aqui assinalados. Isto tudo porque a minha vida mudou um pouco. Para quem passa os dias sentado num gabinete com luz natural suficiente para não ter que se queixar da vida, atende o telefone de forma estandardizada e age da maneira que lhe parece ser o melhor encontro de vontades, entre ele próprio e aquilo que dele espera a entidade que lhe retribui, este blogue representa um contraste forte. Abordar todas estas pessoas torna possível, viver momentos cujas convenções sociais em que a nossa vida se inscreve, dificilmente mo permitiriam. E depois, mais que meu, O Alfaiate Lisboeta… sou eu. E talvez por isso sinta tudo o que me escrevem na própria pele: cada crítica, elogio ou simples advertência tocam-me como se falassem de mim, do meu cabelo, da minha rectidão ou falta dela.

Parece-me justo esboçar aqui meia dúzia de agradecimentos e convém por isso admitir que dá realmente (ainda) mais gozo escrever para 1000 ou 2000 que fazê-lo para 100 ou 200 e saber que “gosto das tuas fotografias e dos teus textos” é a expressão que resume, da forma mais fiel, o universo dos feedbacks que vou recebendo via comentários, Facebook ou e-mail. Mas antes de mais, dois agradecimentos fraternos. Um ao Mário Fazendas, pelas suas brilhantes traduções, pelas quais provavelmente muitos de vós não terão chegado a dar conta, mas que, como poderão comprovar mais à frente, me trouxeram largas alegrias. Se passarem pelo The Lisbon Tailor, o critério é simples. As traduções que vos impressionarem são do Mário, aquelas que tiverem em média, meia dúzia de gralhas por publicação, são feitas em regime de consórcio entre mim e o tradutor do Google. Ao meu outro amigo, o Rui Quinta, entre muitas outras coisas, obrigado pelos cartões de visita mais bonitos que já alguma vez vi (de fazer suar o Christian Bale em American Psycho), que tornam possível que aqueles que abordo na rua, não achem que é um qualquer tarado que lhes pergunta afavelmente se não gostariam de fazer parte do seu blogue.

Queria agradecer também à Time Out, à TVI 24, à SIC Mulher, ao This is Our Thing, à Sancha Trindade e ao seu espaço no Meia Hora e à Time Out de novo (a mão que nos dão pela 1ª vez é sempre aquela que mais dificilmente esqueceremos) por, de formas distintas e através dos seus diferentes recursos, terem demonstrado genuíno interesse e contribuído para a divulgação do Alfaiate. Não esquecendo também todos aqueles que nos seus blogues, foram criando links e publicando posts sobre O Alfaiate Lisboeta. Agradeço também ao Fashion Real Street Star e à Shopping & Shopper por me terem dado a descobrir que “aldeia global” não é apenas um mero conceito teórico. Dou especial ênfase, às 3 páginas mensais que a Shopping & Shopper (publicação bilingue, baseada em Pequim) pretende guardar para o meu trabalho, naquela que foi, até agora, a proposta mais marcante a ser-me apresentada. Mas mais importante ainda, gostava de agradecer àqueles que me visitam regularmente, em particular aos que vão deixando o que sentem; e mais que tudo e todos que já referi, a quem aqui aparece, porque sem eles…sem eles não existiria Alfaiate.

Restar-me-ia agora, em condições normais, dedicar algumas palavras à imagem do dia. Mas hoje excepcionalmente, o blogue é mais importante que o seu convidado. Só me ocorre dizer que algum dia, o autor de tudo isto teria que parar no mesmo lugar onde convida a entrar, aqueles que com ele se cruzam. Os créditos fotográficos ficam com o João Vieira.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Duas faces duma mesma elegância

Duas faces duma mesma elegância (1)
Duas faces duma mesma elegância (2)

Vestir de preto vai bem com (ter mais de) 1,90m de altura mas continuo a achar que a sua elegância vai bem para além disso..

sexta-feira, 10 de julho de 2009

La Chemise Lacoste – O legado de meu Pai



Acho que o meu Pai esteve mais presente na minha infância do que a maioria dos pais consegue estar. Ainda hoje…comigo quase a roçar os 30, continua a ser a pessoa com quem mais horas passeei de mão dada, com quem mais vezes fui ao cinema e, provavelmente, com quem mais tempo fiquei parado a olhar para uma montra da Lacoste. Cresci a ver o meu Pai usar e abusar daquele Crocodilo e ainda me lembro do dia em que ali mesmo na Baixa, em plena Rua de São Nicolau, fomos comprar o meu 1º Pólo.

“You never really own a Patek Phillippe, you merely take care of it for the next generation.” Este é provavelmente o mais bonito slogan publicitário que conheço. Verdade que aquilo que poderá valer para um relógio de luxo dificilmente se aplicará a uma peça de roupa. Mas no meu grupo de amigos, não sou o único a ter tido o privilégio de usar um Pólo Lacoste que tivesse pertencido um dia, a seu pai ou sua mãe; e não sou capaz de me lembrar doutra peça de algodão, que vá a lavar 20 vezes por cada Verão e consiga aguentar o mesmo ritmo por mais 30 anos. Mas vou mais longe, um pouco mais longe… Desde a minha adolescência que perdi a fixação pelas marcas e, acima de tudo, pela exibição dos seus elementos mais distintivos. Mas houve um desses elementos que resistiu sempre à minha maturação – o Crocodilo. Nunca contei isto a ninguém mas tenho umas calças de pinças em bombazina com o Crocodilo bordado abaixo do cós, e quando as uso certifico-me sempre, tantas quantas as vezes que passar junto a um espelho, que o pull-over que tenho vestido não oculta o meu querido Crocodilo. Não o faço por qualquer estatuto… (aliás quanto a presumíveis estatutos…o dito Crocodilo tanto pode ser visto numa esplanada de Saint-Tropez, como na mais problemática periferia de Paris); faço-o por um certo je ne sais quoi que não encontro em mim sem ele (não é este o core business do Marketing? conceber produtos munidos de atributos, acerca dos quais, o consumidor se sinta simultaneamente, desprovido e identificado?). Por algum motivo a Lacoste é a marca mais contrafaccionada em todo o mundo. Por algum motivo usei aquelas calças no primeiro jantar do meu namoro.

Ainda me lembro da satisfação de carregar o saco – “não Pai, eu levo!” – com o dito Pólo branco, já a imaginar a parelha do dia seguinte. Só agora começo a ter idade suficiente para perceber que os primeiros anos de vida são mais importantes que quaisquer outros. E só agora, já com um início visível de falta de cabelo e parte do que dele resta em tons esbranquiçados, retorno aos tempos em que a figura paterna é o nosso herói e percebo que, quer queiramos quer não, para o bem e para o mal, aquela história da socialização primária (mais redefinição de conceito, menos redefinição de conceito) é mesmo assim – marca-nos para sempre. Ainda no outro dia um amigo me dizia que uma das coisas que o teria induzido a seguir Artes tinha sido o impressionante jeito da mãe para desenhar. Não lho disse mas reparei, que nunca o tinha ouvido falar do seu legado materno com tanto orgulho. Eu e o Rui temos a mesma idade, estudámos no mesmo liceu e disputámos juntos a mesma atenção da mesma professora mais gira (do mesmo liceu)…não me intriga também que agora olhemos por cima do ombro de forma idêntica. Por tudo isto e algo mais não é de admirar que, muito antes de um filho meu vestir aquele Pólo encarnado que ali vêem em cima, sua mãe, em plena gravidez, me faça o favor de vestir um daqueles lindos vestidos piquet, quase tão intemporais quanto o famoso Pólo 1212. Fetiche? Talvez. Legado paterno? Sem dúvida. Crédito do Marketing? Não bolas…é Lacoste

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Olho de perdiz – Palácio de Queluz

Olho de Perdiz/Nailhead

O olho de perdiz é um tecido de lã cujo padrão causa um efeito geométrico semelhante à repetição de um olho daquela ave. Muito comum em cinzento ou azul é, na pior das circunstâncias, uma das melhores hipótese para quem, depois de 2 ou 3 fatos lisos de cores diferentes, gostaria de comprar um outro diverso dos demais, mas não se sinta confortável (ou simplesmente não goste) de fatos listados ou com quadrados.

Quando, há pouco mais de 2 meses, escrevia que o fato cinzento seria possivelmente a minha 2ª peça (depois do azul escuro e antes do 1º recurso aos quadrados) evocava precisamente um fato olho de perdiz cinzento claro. Numa lã fresca de preferência, aproveitando o quase constante clima primaveril Lisboeta. Porque para o Verão, não me venham com tretas, seja da mais leve lã pura ou caxemira, algodão fresco, seda ou linho... No Verão, bom mesmo é sem casaco. E se me permitem, para quem pode (que não é o meu caso), sem meias também... (mas acerca de convenções cheias de sentido ou mais que ultrapassadas, de simples preconceitos ou supostas demonstrações institucionalizadas de mau senso como dispensa de meias ou gravata, utilização de camisolas de alças debaixo de um sol de 30º ou calções na noite algarvia, teremos certamente muitas oportunidades para falar...)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Harlem 1981, Restauradores 2009

Harlem 1981 - Lisboa 2009

Ontem, umas boas horas antes de encontrar o Edson nos Restauradores, tinha estado a arrumar as caixas e as gavetas que compõem a habitual desarrumação do meu quarto. Encontrei uma mala a abarrotar de VHSs com filmes e algumas séries. Lá no meio havia uma cassete etiquetada com a Balada de Hill Street. A música do genérico subiu-me imediatamente à cabeça e saí disparado para a arrecadação a ver se resgatava o velho vídeo.

Não sei se noutro dia teria parado para abordar o Edson. Ontem nem hesitei. Os revivalismos mexem comigo, o Edson levou-me de volta.