sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ci vediamo Milano




Fora de tempo. Tinha lá estado sempre fora de tempo. Em Agosto o calor aperta, mata, resseque. O clima continental torna o pico do Verão insuportável e, como em qualquer metrópole longe do mar, a cidade morre. Há supermercados que fecham e, por mais estranho que pareça, alguns hotéis também. O elemento água é praticamente inexistente. Se o mar está longe, rio é coisa que também não existe, restam três canais abertos faz séculos (incapazes de nos hidratarem o corpo ou o espírito) e o sol insuportável que parece derreter o alcatrão. Não tem fama de bonita e não o é no mesmo sentido de tantas preciosidades italianas mas sobra-lhe imponência, sobriedade e cosmopolitismo. E foi isso que encontrei em Maio que me tinha escapado tantas vezes em Agosto. Essa cidade cosmopolita repleta de milaneses sofisticados mas pouco simpáticos na sua aparência. Que nos tiram a medida ao cabelo, ao tom da pele, ao corte do casaco, à cor das calças e ao que trazemos calçado mas que, só se os convencermos que merecemos, nos oferecem um sorriso. Para mim, a grande diferença entre os italianos e os demais a vestir é a linha ténue que faz de um determinado acessório um artigo essencial para uns e algo perfeitamente supérfluo para outros. E isso nota-se desde cedo, como um traço cultural presente entre todos. Homens, mulheres, ricos e menos ricos. É raro o puto que não traz uma pulseira, um colar, uma fita no cabelo ou um lenço no casaco que não fosse perfeitamente dispensável por um miúdo inglês, português ou francês. A aldeia global não dá margem para diferenças marcantes no que diz respeito ao traço estrutural dum padrão de beleza, de estilo ou do que quer que seja. Por isso restam-lhes os detalhes. E é nos detalhes que estes tipos marcam a diferença. Eles e elas. Até porque se me permitem, Milão lembra-me uma cidade ao som daquele velho slogan do Sr. Azzaro, “para homens que gostam de mulheres que gostam de homens”. E quando penso nisso, lembro-me de quem encarnaria na perfeição esse papel de dandy. O Luigi, num desses Agostos que passei ao engano por Milão. Já Maio deixa-me saudades, e pelo que vejo, à Camilla também

14 comentários:

Anónimo disse...

...e Milano sentirà la tua mancanza! Torna sempre, sei benvenuto!

Anónimo disse...

Alfaiate,
Só falhou teres cortado os pés desta Bella Donna!

DD disse...

Concordo inteiramente! Os sapatos num(a) italiano(a) faz também a diferença. Aposto que eram lindos!
Parabéns pelo Blog!

karura disse...

Só o nosso alfaiate é que descobre estas beldades. Que bonita!! Adoro o sorriso!

Elena disse...

ALFAIATE: Muitos acreditam que o talento é uma questão de sorte, mas poucos sabem que a sorte é uma questão de talento.

VOCÊ TEM TALENTO (MUITO),
SENÃO QUE RAZÃO LEVARIA A UMA ESPANHOLA QUE NUNCA ESTEVE EM LISBOA VIR CÁ TODAS AS SEMANAS.

Anónimo disse...

eheheh grande descrição de uma cidade que nao dorme! Já tinha saudades desse Luigi! um abraço a todos. JVC

Anónimo disse...

Tenho a certeza de que é uma cidade em que havias de te dar bastante bem! Naquele primeiro inter-rail lembro-me de ficar completamente fascinado com a pinta de algumas pessoas que via nas ruas... um dia destes a ver se volto, desta vez sem mochila às costas... Belas fotos, e muito bons textos, estes dois últimos! Abracos Andre B

Anónimo disse...

ps: estes três últimos!:) Andre B

Mariana disse...

Adorei as meias!
E fiquei super curiosa em relação aos sapatos! :p

Grandes fotos em Milão!

célia silva disse...

camila, que nome liiiindo :P

D.U. disse...

Os italianos são extremamente elegantes e charmosos
mas os blogues portugueses são os mais criativos, poéticos e interessantes do mundo.

Sinto meus antepassados terem vindo para o Brasil e eu ter nascido aqui, em um país riquíssimo mas perdidamente corrupto e permissivo.

Anónimo disse...

ray-ban 4105?

Anónimo disse...

O timbre das pernas é simplesmente delicioso

MagicWoman disse...

Mto bonita

kiss