sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
domingo, 15 de Novembro de 2009
Wind Club - Il Milanese

Excepção feita à excitação inicial com o primeiro artigo na Time Out e não voltei a maçar-vos com convites para programa de televisão x, estação de rádio y, ou jornal z. Mas desta vez é diferente. É uma coisa pequena, simples e discreta. E é precisamente por isso que, mais que me gabar, gostava de a partilhar com quem aqui passa. Este blogue tem, a partir de hoje e durante 2 meses, uma pequena exposição no Wind Club em Oeiras. E foi com um orgulho particular que vi alguém lembrar-se que, aquilo que aqui faço, valia a pena ser exposto.
Hoje almocei por lá e certifiquei-me que, caso cheguem à conclusão que nem as fotos nem os textos valem a visita, a degustação de pastas do Chef Paolo Pasquini justifica a viagem. Quanto aos posts emoldurados...não estão obviamente à venda. Estão sim, a partir desde mesmo momento, prometidos a cada um daqueles que lá aparecem. E a verdade é que, num dia feio como este, aquelas molduras (e o bonito prefácio que me escreveram) me asseguram um sorriso...um belo sorriso de Domingo
Hoje almocei por lá e certifiquei-me que, caso cheguem à conclusão que nem as fotos nem os textos valem a visita, a degustação de pastas do Chef Paolo Pasquini justifica a viagem. Quanto aos posts emoldurados...não estão obviamente à venda. Estão sim, a partir desde mesmo momento, prometidos a cada um daqueles que lá aparecem. E a verdade é que, num dia feio como este, aquelas molduras (e o bonito prefácio que me escreveram) me asseguram um sorriso...um belo sorriso de Domingo
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
So 80´s

Nasci em 1980 por isso, nem que seja para salvaguardar qualquer piada fácil, sou daqueles que tende a defender a importância dos anos 80. Mas no que à aparência e à forma de vestir diz respeito tenho a impressão que passámos os 90 a gozar com os 80. Com as permanentes delas, com a laca deles, com os estampados e as cores berrantes de uns e a ostentação de outros. Mas suponho que em parte da década seguinte a o que quer que seja se perca sempre algum tempo a ridicularizar o que acabámos de fazer. Até porque a chacota sobre aquela década parece terminar quando alguém chama à baila a música e as 1001 colectâneas que se fizeram sobre esses anos. Eu era apenas um miúdo e é provável que as páginas centrais da revista do Correio da Manhã (onde por acaso não abundavam nem roupa nem bom gosto) que folheava discretamente no barbeiro me tenham impressionado mais que a queda do Muro de Berlim, os enchumaços volumosos ou leggings hiper-coloridas. Mas tenho sempre os 80 como uma década vincada. E agora…à boca do seu 30º aniversário, é bem provável que muita da coisa que foi então cool e passou a obsoleta vire moda outra vez. E foi isso que este sueco de boa aparência me fez recordar. Que aquilo que um dia foi tido como bom vai, muito provavelmente, voltar a sê-lo.
Eu acho que a questão que agora se coloca é:
- Quando é que o vocalista dos a-ha – aquele tipo que descobriu o elixir para a eterna juventude – se vai voltar a vestir assim?
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Fábio


Conheci o Fábio aqui. E reconheci-o no seu trabalho, onde entrei, com uma lata que tenho vindo a aperfeiçoar, e lhe perguntei se o podia fotografar. Acho que mais do que pessoas que vestem bem ou mal há, no que ao trajar diz respeito, dois tipos de pessoas. Aquelas que vestem o que querem e aquelas que vestem aquilo que os outros lhes permitem vestir. Eu nunca passei do segundo grupo mas adoro quando encontro alguém do primeiro
domingo, 8 de Novembro de 2009
The coolest brothers in town

Ter reflexos ajuda. E eu não os tive em dose suficiente quando passaram por mim pela primeira vez. O Pedro ia agarrado ao telemóvel e o Lourenço já empurrava a porta de casa quando percebi que me tinha acabado de cruzar com os miúdos perfeitos para um primeiro post sobre crianças. Praguejei um bocado e lá subi o resto da rua inconformado por ter deixado escapar entre dedos uma fotografia assim. É que não deve ser tarefa fácil…afinal de contas não me imagino a acenar com a cabeça ao primeiro estranho que me aparecesse à frente a dizer que gostaria de fotografar os meus filhos (e provavelmente se o dito estranho insistisse muito ainda me disponibilizaria para lhe dar umas chapadas)
Por estas e por outras fiquei radiante quando ontem, precisamente duas semanas depois de nos termos cruzado à sua porta, voltei a encontrar o Pedro e o Lourenço no Rossio. Agora, para tudo ser perfeito, só falta mesmo receber um e-mail dos pais, não a ordenar-me que remova daqui a foto, mas a agradecer que enviasse as outras duas ou três que lhes tirei
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Sancha - um vestido "bon chic bon genre", uma montra com um poema de Al Berto e uma vida com garra, dedicada à cidade


De ontem a Domingo os comerciantes do Príncipe Real vão estar abertos das 10h às 23h promovendo os seus espaços das mais variadas formas. O florista Em Nome da Rosa (estes gajos não são nada parvos…vou ao Google e o nome "deles" aparece antes do Umberto Eco) decidiu convidar a minha amiga Sancha Trindade (outra que não é nada parva) para estar na sua montra parte destes dias festivos.
Antes de mais importa dizer que tenho inveja da Sancha. Sempre que falo com ela tem um novo projecto em mãos (ou na cabeça) [ou na imaginação] e isto para um bancário é quase arma de arremesso. Aliás…gosto de pensar que o tempo que demorei a convencer a minha namorada a jantar comigo pela primeira vez está relacionado estritamente como a minha actividade profissional. Imagino o 007 a não sacar uma única gaja se dissesse às tipas que conhece que, nos tempos em que não estava a aquecer a Guerra Fria ao serviço de Sua Majestade, estivesse a tentar aprovar crédito a uma pequenas empresas e a espetar-lhes meia dúzia de produtos financeiros (a sério…queria vê-lo). Mas enfim…nem os simpáticos floristas da Dom Pedro V nem eu somos parvos e não é por acaso que a Sancha ali está e que eu estou aqui, ainda de pijama vestido, a (tentar) escrever uma crónica que lhe faça justiça.
A Sancha está ali porque uma montra pode ser um local privilegiado para alguém que escreve tão apaixonadamente por Lisboa, observe atentamente aqueles que cá vivem e aqueles que por cá passam. E é a isso que se tem dedicado a Sancha – a escrever sobre Lisboa. Seja, na revista Única do Expresso, na GQ ou no Lisbon Golden Guide (e noutros tantos sítios que agora não me lembro e que não tenho tempo para ir pesquisar). Mas vá…no fundo no fundo não é por nada disso que a Sancha está aqui. Nem sequer pelo bonito vestido com que a BCBG a vestiu. A Sancha está aqui porque, muito antes de me passar pela cabeça ter um blogue (quanto mais chamar-lhe Alfaiate), me motivou a fazer alguma coisa. Alguma coisa minha, feita por mim e para mim, fosse ela, gerar ou não, uma "margem financeira" entre o tempo que nela se despende e os dividendos que dela se tira. Hoje, essa coisa dá pelo nome deste blogue. E, algures lá num momento distante, estavam as palavras da Sancha, desta feita não sobre a cidade mas sobre aquilo que eu devia fazer da vida. E assim encerro uma semana dedicada (e só agora me dei conta) aos projectos de 3 mulheres. Uma filha, um livro e uma cidade. Encerro-a com Lisboa na ponta dos dedos
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Maria Guedes

Sim eu sei. Tem uma granda pinta. Mas a verdade é que a Maria não está aqui tanto pela sua pinta como por aquilo que se dispõe a fazer pela pinta alheia. A forma mais correcta de a apresentar seria provavelmente como fashion adviser ou personal stylist mas a quantidade de textos delico-doces que já escrevi por aqui já não me dão margem para termos amaricados. Ou seja, para mim a Maria é, em primeiro lugar, uma gaja porreira (a minha irmã disse-me que eu não devia escrever “gaja” mas eu não tenho culpa que os meus pais tenham aprimorado mais a educação dela que a minha). Segundo, é alguém com visível legitimidade para dar uns bitates sobre a aparência alheia e terceiro, alguém com uma enorme sensibilidade estética. A Maria aposto, é daquelas raparigas que sempre teve mais olho para os trapos que as amigas. A quem, naquelas duas ou três semanas de férias no Algarve, as amigas iam pedir não sei quantas dicas e uma resma de peças de roupa emprestada. Alguém que desde cedo, olhava os familiares de alto a baixo e formulava os seus próprios juízos sobre se, naquele dia, estavam mais ou menos “estilizados” do que aquilo que era costume. E imagino a Maria, muito objectiva, a passar por uma montra e a discernir com um breve olhar o que realmente importa daquilo que não lhe interessa – e de resto, já pensaram na quantidade de coisas importantes para o destino da humanidade que podemos fazer se nos despacharmos a escolher roupa?
Dizer que não se importam com a forma como aparentam já não pega. Quem é que não se preocupa com o que veste, com o que parece e com a forma como é visto? Podia ir sacar à net excertos de 1001 tratados sociológicos, alguns mais maçudos, outros mais interessantes, de não sei quantos académicos com quocientes de inteligência impressionantes, que juram a pé juntos que o senso e a verdadeira percepção do Eu só aparecem em função daqueles que nos rodeiam e da forma como estes nos vêem. A forma como nos vestimos é apenas mais um exemplo disso mesmo e não adianta negar que todos sentimos uma disposição, um conforto e um bem-estar diferentes quando nos sentimos bem com aquilo que trazemos por cima do corpo. Até porque a sensação é boa, e como tudo o resto que é bom, depois de experimentar, ninguém quer prescindir de voltar a sentir. E a Maria, cheira-me, conseguirá experimentar essa sensação – e dá-la a experimentar – muitas mais vezes do que a esmagadora maioria de nós.
Não vou gastar muito tempo com o facto de a Maria ter estado numa escola de moda xpto, ter participado no New York Fashion Week e ter já um curriculum simpático a vestir gente exigente com aquilo que veste. Para quem estiver curioso sobre isso tudo fica aqui o link e mais uns valentes milhares de resultados em qualquer motor de busca. Eu prefiro concentrar-me nas empatias engraçadas que se estabelecem entre as fotografias que tiro e meia dúzia de factos concretos. Por ora, falo-vos no livro que a Maria lança oficialmente amanhã. Tanta Roupa e Nada para Vestir. Acho que com ou sem o “tanta roupa” já toda a gente se sentiu sem "nada para vestir" para ocasião x ou y (acho que vou começar a recorrer a incógnitas…quase que conferem um fundo científico às parvoíces que aqui escrevo). Podemos sempre dar uma de blazés e fingir que isto não é nada connosco mas acho que dá muito menos trabalho assumirmos que, grande parte de nós, aceitaria de bom grado uma dica ocasional. O Alfaiate não vai virar páginas amarelas mas, no que diz respeito à Maria, estou contente por a ter aqui. E para que não fique link por explorar, deixo-vos o mais óbvio mariaguedeslisboa.blogspot.com.
Dizer que não se importam com a forma como aparentam já não pega. Quem é que não se preocupa com o que veste, com o que parece e com a forma como é visto? Podia ir sacar à net excertos de 1001 tratados sociológicos, alguns mais maçudos, outros mais interessantes, de não sei quantos académicos com quocientes de inteligência impressionantes, que juram a pé juntos que o senso e a verdadeira percepção do Eu só aparecem em função daqueles que nos rodeiam e da forma como estes nos vêem. A forma como nos vestimos é apenas mais um exemplo disso mesmo e não adianta negar que todos sentimos uma disposição, um conforto e um bem-estar diferentes quando nos sentimos bem com aquilo que trazemos por cima do corpo. Até porque a sensação é boa, e como tudo o resto que é bom, depois de experimentar, ninguém quer prescindir de voltar a sentir. E a Maria, cheira-me, conseguirá experimentar essa sensação – e dá-la a experimentar – muitas mais vezes do que a esmagadora maioria de nós.
Não vou gastar muito tempo com o facto de a Maria ter estado numa escola de moda xpto, ter participado no New York Fashion Week e ter já um curriculum simpático a vestir gente exigente com aquilo que veste. Para quem estiver curioso sobre isso tudo fica aqui o link e mais uns valentes milhares de resultados em qualquer motor de busca. Eu prefiro concentrar-me nas empatias engraçadas que se estabelecem entre as fotografias que tiro e meia dúzia de factos concretos. Por ora, falo-vos no livro que a Maria lança oficialmente amanhã. Tanta Roupa e Nada para Vestir. Acho que com ou sem o “tanta roupa” já toda a gente se sentiu sem "nada para vestir" para ocasião x ou y (acho que vou começar a recorrer a incógnitas…quase que conferem um fundo científico às parvoíces que aqui escrevo). Podemos sempre dar uma de blazés e fingir que isto não é nada connosco mas acho que dá muito menos trabalho assumirmos que, grande parte de nós, aceitaria de bom grado uma dica ocasional. O Alfaiate não vai virar páginas amarelas mas, no que diz respeito à Maria, estou contente por a ter aqui. E para que não fique link por explorar, deixo-vos o mais óbvio mariaguedeslisboa.blogspot.com.
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Ana, uma gravidez colorida e uma história que não me cansei de contar

Nunca dou grande crédito quando alguém me diz que houve determinado dia que mudou a sua vida porque A se cruzou com B enquanto C ia para cama com D que por sua vez se desiludiu profundamente com E. Mas a verdade é que não tenho grande legitimidade para me pôr com cepticismos extremos em relação a esoterismos alheios que eu também tenho a minha meia dúzia de momentos que, por um motivo ou por outro, marcaram o que estava para vir depois. Lembro-me, lá para meados de Abril do ano passado, a Time Out ter dedicado um número ao engate (hei-de pensar num sinónimo que não nos ponha logo a pensar em dois estranhos em cima um do outro), às 1001 formas de se poder conhecer pessoas interessantes e aos sítios que aquela redação achava mais indicados para que isso acontecesse. Lembro-me de achar que o editorial desse número parecia recear que o artigo não fosse levado a sério. Não era necessário. Eu levo a sério o momento em que meto conversa com alguém. Afinal de contas, não precisei que ninguém me apresentasse a minha namorada para lhe ir falar um dia. Momentos como esses, abordagens rápidas, às vezes meio suicidas, podem marcar uma vida ou, ao menos, parte dela. Estou-me a lembrar também que conheci a minha melhor amiga (aquela a quem atendo o telefone quando estou sentado na retrete) numa festa do caloiro da faculdade de um amigo meu. Quando um de nós meteu conversa com o outro pela primeira vez, não lhe ocorreu certamente que teria ali um amigo para a vida. O flirt, para além das primeiras ideias que nos atropelam desde logo o pensamento: da promiscuidade, da sedução, da tensão sexual e de meia dúzia de hormonas aos saltos; é às vezes a única forma possível de um rapaz e de uma rapariga iniciarem uma amizade
(conto-vos a história sobre como conheci a Ana porque acho que mudou para sempre a forma de me relacionar com as mulheres)
Era o último dia de aulas e tinha-me prometido que o dia não chegaria ao fim sem tentar fazer algo. Dificilmente sairia dali alguma coisa brilhante mas no que a raparigas diz respeito sempre achei que aquele adágio do “antes arrependeres-te do que fizeste que do que deixaste por fazer” ganhava toda a propriedade. Percebi que ela ia sair do liceu. Tal qual o dia anterior calculei o tempo que ela levaria a chegar à saída pelo caminho apenas acessível a professores e funcionários e tal qual o dia anterior cruzámo-nos junto ao portão. Segui-a a uns metros de distância e tentei perceber de imediato onde estava estacionado o carro, o mesmo cuja matrícula me continuo a lembrar dez anos depois. Já depois deste episódio, posso ter sentido algum entusiasmo ou agitação, mas não me recordo de ter voltado a sentir o coração bater a uma velocidade daquelas por causa de alguém que não conheço. Estava prestes a meter-me com uma professora do meu liceu e mesmo que dali em diante apenas me arriscasse a cruzar com ela num dos exames nacionais a que estava inscrito não deixava de me arriscar a fazer uma tremenda figura de parvo. Pouco antes de ela chegar ao carro abordei-a. Entre os disparates que balbuciei na altura só me lembro de atropelar palavras sobre palavras e de me sair qualquer coisa como “não podia deixar que o ano terminasse sem vir falar consigo”. A Ana já tinha a porta do carro aberta e perguntou-me, com um olhar que não deixava perceber o que estaria a achar de tudo aquilo:
- Mas então não tem nenhum assunto para tratar comigo?
Abri os braços e enquanto abanava a cabeça disse:
- Não professora. Bem que me dava jeito ter uma desculpa para falar consigo mas não tenho
Ainda hoje recordo este episódio com uma gabarolice descomunal. E ainda ontem disse à Ana (como digo quase sempre que a vejo) que aquele dia mudou a minha forma de me relacionar com o sexo oposto. Mas ela nunca me leva a sério. Acho que hoje, dez anos volvidos e a menos de dois meses de ser mãe, vai finalmente levar
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Yen

Não há ninguém designado para o efeito. É como se, entre o meu grupo de amigos, a "mão invisível" do Adam Smith assegurasse que um de nós se lembra de avisar todos os outros quando há Chocolate City no Lux. Por entre a minha malta há uma certa queda pelo Hip-Hop e R&B e, em particular, por essas noites em que terminam comigo, quase sozinho na pista, virado para a Yen Sung e o seu convidado, a fazer figuras que fazem lembrar um bêbado a dançar o Roxanne na recta final duma festa de casamento. E só quando lhe perguntei o nome – porque gosto sempre de saber o nome de quem fotografo – percebi que me preparava para fotografar a minha D.J. favorita; a única mulher para quem posso passar a noite toda a olhar, a cantar e a esbracejar sem que a minha namorada faça caso disso.
O colorido do calçado da Yen lembra-me como, há uns bons 10 anos, me chegou a primeira descrição do Lux – a discoteca onde se podia entrar de ténis. Mas, apesar de contrastar radicalmente com os vela e as camisas aos quadrados com que rumávamos religiosamente à porta de um edifício branco na 24 onde, segundo a etiqueta local, se deveria passar a noite de copo na mão a dançar com os olhos, não foi pela indumentária que a revolução que o Lux protagonizou na noite lisboeta me tocou particularmente. Nesse campo parece-me que se limitou a adiantar uma tendência. Não foi também pelo espaço fantástico, pelas inovadoras projecções ou pela programação musical. Ou pelo menos – agora que me recordo do quão impressionado e saloio me senti da 1ª vez que lá entrei – não foi isso o mais relevante.
A noite é um mundo à parte. Parece-me uma regra basilar de qualquer negócio fazer-se por tratar bem aqueles que garantem a sua subsistência. Mas na noite, verifica-se uma inversão de lógicas que nos conduz a uma função, segundo a qual, quanto mais sucesso tem um espaço nocturno, mais legitimidade parece ser reconhecida ao seu staff para maltratar quem por lá passa. A simpatia e a afabilidade da Yen acabaram por me remeter para o imenso respeito que nutro pelo Lux. Eu gosto do Lux, de muita da música que por lá passa, do espaço amplo, do seu pé-direito, dos gajos giros e das gajas boas, da varanda, do terraço, das projecções nas paredes e de mais um sem número de coisas... Mas o que eu gosto mesmo do Lux é de algo que nunca encontrei numa outra discoteca portuguesa. É do respeito com que se trata quem lá entra. É perceber que os seguranças estão lá, como o próprio nome sugere, para assegurar a minha segurança. É saber que posso contar com uma casa de banho asseada num momento de aperto e, constatar, que a senhora que a limpa me parece mais simpática e educada que tantas supostas vedetas que promovem tantos outros espaços nocturnos. É saber que, ao dirigir-me a um bar, me vão servir uma bebida decentemente, apresentar um estojo de 1ºs socorros caso me aleije ou, simplesmente, saber que mesmo sem ter um decote generoso ou amigos lá dentro, haverá, algures, alguém disponível a quem me possa dirigir.
Ainda no final do Verão do ano passado jurei que nunca mais entrava num sítio que começasse com a letra K quando, à saída daquele bonito espaço ao ar livre junto ao rio, e depois de ser ameaçado por um segurança a quem tinha dito que devia ter cuidado para não empurrar quem por ele passasse, vi um outro esbofetear um cliente. Mas, (ainda) mais que a dita bofetada, impressionou-me a inexistência de qualquer censura perante aquilo. Como se todos aqueles que ali estavam – colegas e clientes – assumissem que ver um mono com hipertrofia muscular achar-se no direito de fazer justiça pela sua própria vontade fosse apenas uma vicissitude da “noite”. E pronto…no fundo é isso. Sinto que se um dia me acontecer algo de muito bom e for para o Lux festejar (e beber muito para além da minha conta) arrisco-me provavelmente a que me acompanhem à porta e que me digam o que disseram um dia a um amigo meu:
- Desculpe mas não vai ser possível. E amanhã quando cá voltar, vai-nos agradecer por não o termos voltado a deixar entrar.
Não vos posso assegurar que no Lux só trabalha gente educada e bem formada, nem faço ideia de quantos episódios desagradáveis lá ocorrem por noite. O que eu sinto, bem ou mal, é que há lá uma fundo. E que esse fundo, parece dizer a quem lá trabalha que os clientes são para ser estimados. Isto não devia ser motivo de elogio. Mas é. E foi já na pele deste blogue que acho que descobri o porquê de tudo isto. Cruzei-me um dia com o Manuel Reis. Não é uma figura fácil. Tem uma silhueta interessante mas o porte e o semblante carregado não convidam à abordagem. Mas falei-lhe...falei-lhe no Alfaiate e perguntei-lhe se o podia fotografar. De tão educada e elegante que foi a sua recusa, que fui para casa com a sensação que tinha acabado de tirar a mais bonita fotografia para o blogue. Como se, naqueles 30 segundos de diálogo, tivesse percebido o porquê de o Lux ser diferente. Nem tanto pelas doses industriais de gajas giras que lá vão, pelo som que por lá se passa ou por aquele magnífico Terraço que, neste Outono tépido, ainda se mantém convidativo. Por nada disto, apenas pela sua delicadeza e pelo seu trato.
O colorido do calçado da Yen lembra-me como, há uns bons 10 anos, me chegou a primeira descrição do Lux – a discoteca onde se podia entrar de ténis. Mas, apesar de contrastar radicalmente com os vela e as camisas aos quadrados com que rumávamos religiosamente à porta de um edifício branco na 24 onde, segundo a etiqueta local, se deveria passar a noite de copo na mão a dançar com os olhos, não foi pela indumentária que a revolução que o Lux protagonizou na noite lisboeta me tocou particularmente. Nesse campo parece-me que se limitou a adiantar uma tendência. Não foi também pelo espaço fantástico, pelas inovadoras projecções ou pela programação musical. Ou pelo menos – agora que me recordo do quão impressionado e saloio me senti da 1ª vez que lá entrei – não foi isso o mais relevante.
A noite é um mundo à parte. Parece-me uma regra basilar de qualquer negócio fazer-se por tratar bem aqueles que garantem a sua subsistência. Mas na noite, verifica-se uma inversão de lógicas que nos conduz a uma função, segundo a qual, quanto mais sucesso tem um espaço nocturno, mais legitimidade parece ser reconhecida ao seu staff para maltratar quem por lá passa. A simpatia e a afabilidade da Yen acabaram por me remeter para o imenso respeito que nutro pelo Lux. Eu gosto do Lux, de muita da música que por lá passa, do espaço amplo, do seu pé-direito, dos gajos giros e das gajas boas, da varanda, do terraço, das projecções nas paredes e de mais um sem número de coisas... Mas o que eu gosto mesmo do Lux é de algo que nunca encontrei numa outra discoteca portuguesa. É do respeito com que se trata quem lá entra. É perceber que os seguranças estão lá, como o próprio nome sugere, para assegurar a minha segurança. É saber que posso contar com uma casa de banho asseada num momento de aperto e, constatar, que a senhora que a limpa me parece mais simpática e educada que tantas supostas vedetas que promovem tantos outros espaços nocturnos. É saber que, ao dirigir-me a um bar, me vão servir uma bebida decentemente, apresentar um estojo de 1ºs socorros caso me aleije ou, simplesmente, saber que mesmo sem ter um decote generoso ou amigos lá dentro, haverá, algures, alguém disponível a quem me possa dirigir.
Ainda no final do Verão do ano passado jurei que nunca mais entrava num sítio que começasse com a letra K quando, à saída daquele bonito espaço ao ar livre junto ao rio, e depois de ser ameaçado por um segurança a quem tinha dito que devia ter cuidado para não empurrar quem por ele passasse, vi um outro esbofetear um cliente. Mas, (ainda) mais que a dita bofetada, impressionou-me a inexistência de qualquer censura perante aquilo. Como se todos aqueles que ali estavam – colegas e clientes – assumissem que ver um mono com hipertrofia muscular achar-se no direito de fazer justiça pela sua própria vontade fosse apenas uma vicissitude da “noite”. E pronto…no fundo é isso. Sinto que se um dia me acontecer algo de muito bom e for para o Lux festejar (e beber muito para além da minha conta) arrisco-me provavelmente a que me acompanhem à porta e que me digam o que disseram um dia a um amigo meu:
- Desculpe mas não vai ser possível. E amanhã quando cá voltar, vai-nos agradecer por não o termos voltado a deixar entrar.
Não vos posso assegurar que no Lux só trabalha gente educada e bem formada, nem faço ideia de quantos episódios desagradáveis lá ocorrem por noite. O que eu sinto, bem ou mal, é que há lá uma fundo. E que esse fundo, parece dizer a quem lá trabalha que os clientes são para ser estimados. Isto não devia ser motivo de elogio. Mas é. E foi já na pele deste blogue que acho que descobri o porquê de tudo isto. Cruzei-me um dia com o Manuel Reis. Não é uma figura fácil. Tem uma silhueta interessante mas o porte e o semblante carregado não convidam à abordagem. Mas falei-lhe...falei-lhe no Alfaiate e perguntei-lhe se o podia fotografar. De tão educada e elegante que foi a sua recusa, que fui para casa com a sensação que tinha acabado de tirar a mais bonita fotografia para o blogue. Como se, naqueles 30 segundos de diálogo, tivesse percebido o porquê de o Lux ser diferente. Nem tanto pelas doses industriais de gajas giras que lá vão, pelo som que por lá se passa ou por aquele magnífico Terraço que, neste Outono tépido, ainda se mantém convidativo. Por nada disto, apenas pela sua delicadeza e pelo seu trato.
Mas todos nós sabemos, que para fazer uma discoteca tão especial, tudo isto não chega. Falta a Yen. E cheira-me que não vou esperar até à próxima noite de Chocolate para a voltar a ouvir. Aliás, este post deixou-me a cantarolar uma certa música do Sérgio Godinho da qual tanto gosto, com vontade de lhe adulterar a letra e trocar 3ª por 6ª feira, e dizer que vou (lá para as 5 da madrugada) não à ladra mas ao piso de baixo do Lux. É lá que vai estar a Yen hoje. Eu vou. Do you?
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
Uma italiana em Lisboa

Chiara. Foi assim que me disse que se chamava. Está em Lisboa há 10 anos e é cantora. De resto, a pose e o trato (até mais que a indumentária) induziram-me de imediato a pensar que estaria perante alguém com veia artística. Fiquei curioso por saber o que cantava ao certo mas, como já não havia tempo para descobrir, sugeri-lhe que me enviasse um e-mail a contar. E enviou. Mas escreveu-me que, à semelhança do que tinha descoberto neste blogue, preferia que fosse eu a contar a história desta fotografia que ela a contar a sua. Eu não tenho pretensões como promotor cultural. Sou apenas teimoso. O e-mail disse-me que a Chiara é Chiara Picotto e o Google tratou do resto. Entre os 14 600 resultados que achei este foi o que se me pareceu mais com a Chiara com que cruzei no Camões. Mesmo ali, junto àquele exaustor que faz qualquer mulher de saia ou vestido ter, quando menos espera e sem que ninguém a avise de antemão, aqueles 3 segundos de Marilyn Monroe no seu vestido branco. E agora sim Chiara, a história desta fotografia está contada
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
domingo, 25 de Outubro de 2009
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Uma amálgama chamada Diogo
.O Diogo é a 1ª pessoa que aqui aparece (excepção feita a meia dúzia de amigos que fotografei) que já conhecia o blogue. É uma sensação gira. Por mais gente que aqui venha existe uma vida para além da blogosfera e é engraçado pensar que nesse mundo real feito de pessoas de carne e osso com quem me cruzo na rua, no cinema ou no supermercado haja também quem por aqui passe. O Diogo estuda Design de Moda e isso, cliché ou não, nota-se. É natural esperar-se de alguém que estude Moda que a veja – e sai outro cliché – para além do horizonte que os outros a avistam. Mas os clichés, note-se, existem por algum motivo. Existem porque fazem realmente sentido. Transformam-se em clichés no momento em que deixam simplesmente de dar estilo. Que é como quem diz, no momento em que deixam de levar miúdas giras para a cama. Resumindo…não estou à espera que toda a gente adore a riqueza que a mescla que o bigode à monarca da dinastia de Bragança, o casaco de malha que podia ter sido da sua avó, as calças que parecem compradas a um vendedor senegalês e os sapatos que eu gostaria de usar na casual Friday que não tenho no trabalho trouxeram a este blogue. Eu sei…eu sei…parece que estou a gozar. Mas não estou. O Diogo quanto mim, estude lá o que ele estudar, é um miúdo muita giro. E sem querer parecer antidemocrático, para mim...é ponto final parágrafo
domingo, 18 de Outubro de 2009
Lisboa a dois
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Lisboa é destino romântico é destino de engate. É spot gay é spot hetero. Viajantes cruzam-se e lisboetas encontram-se. E de cada ano que passa a cidade fica mais cosmopolita e globalizada e mais cosmopolitas e globalizados ficam também os casais que por aqui se avistam. Nos meus tempos de faculdade tinha um estranho fetiche em torno de me apaixonar por uma estudante Erasmus. Talvez por na altura, não ter experimentado ainda algo que me soasse a verdadeiro amor, encarava de forma romântica aquele dia da separação em que talvez, feitas as contas e mensurados os sentimentos, se chegasse à conclusão que merecia a pena continuar e validar uma relação por correio, e-mail, msn, skype e viagens esporádicas nas quais se poderia matar a saudade, consolar a libido e alegrar o coração. E só mais tarde percebi que a separação e a distância têm mais de tramadas e lixadas que românticas ou encantadas e, lá devo ter percebido a dada altura, que era uma graça divina apaixonarmo-nos por alguém que paire perto de nós.
Este post não foi premeditado. Há dias encontrei estas fotografias e fazia-me pouco sentido publicá-las isoladas. Foram retratos que tirei, uns mais assumidamente outros mais à socapa, mais à laia de experimentar a máquina que por outro qualquer motivo. Fizeram-me pensar nos casais, no amor e nos relacionamentos. No que eles me dizem, no que eles me atraem, naquilo que a sua condição me causa inveja e na inveja que lhes poderei causar a eles. Ocorrem-me aquelas duas teorias intemporais nas quais acreditamos alternadamente consoante o período da vida que vivemos, segundo as quais estivemos sempre predestinados para aquela pessoa ou que, essa mesma pessoa não é – perdoem-me…”não foi”…este raciocínio aparece usualmente no pretérito – mais do que o fruto de meia dúzia de casualidades. E se há alturas em que prezamos particularmente aquelas jantaradas de mancebos em que se descreve em detalhe – como que batendo na mão do peito – as mais insignes proezas sexuais e respectivas badalhoquices de cada um; há também as outras, em que, com uma voz melosa e um pingo de felicidade pura no peito, nos quedamos em descrições alongadas de um pôr-do-sol na praia ou uma noite fria ao relento na companhia certa.
Este post não foi premeditado. Há dias encontrei estas fotografias e fazia-me pouco sentido publicá-las isoladas. Foram retratos que tirei, uns mais assumidamente outros mais à socapa, mais à laia de experimentar a máquina que por outro qualquer motivo. Fizeram-me pensar nos casais, no amor e nos relacionamentos. No que eles me dizem, no que eles me atraem, naquilo que a sua condição me causa inveja e na inveja que lhes poderei causar a eles. Ocorrem-me aquelas duas teorias intemporais nas quais acreditamos alternadamente consoante o período da vida que vivemos, segundo as quais estivemos sempre predestinados para aquela pessoa ou que, essa mesma pessoa não é – perdoem-me…”não foi”…este raciocínio aparece usualmente no pretérito – mais do que o fruto de meia dúzia de casualidades. E se há alturas em que prezamos particularmente aquelas jantaradas de mancebos em que se descreve em detalhe – como que batendo na mão do peito – as mais insignes proezas sexuais e respectivas badalhoquices de cada um; há também as outras, em que, com uma voz melosa e um pingo de felicidade pura no peito, nos quedamos em descrições alongadas de um pôr-do-sol na praia ou uma noite fria ao relento na companhia certa.
E no outro dia, na mesma pista de dança onde cheguei a recitar, em momentos menos nobres das minhas bebedeiras, (e porque me fascina ver um homem de aparência dura revelar-se tão sensível) excertos de crónicas do Lobo Antunes à minha namorada (muito antes dela sonhar vir a sê-lo e imediatamente antes de me virar costas e ir comentar com as amigas que eu tinha tanto de insolente quanto de retardado), achei graça ouvir o meu amigo Mirsa perguntar-me:
- Hoje não me apetece meter-me com nenhuma gaja. Apetece-me conversar. Achas que há aqui alguma rapariga que queira conversar?
- Claro que sim. – respondi.
Olhei para a pista e achei que metade daquela gente de aparência sexy e descontraída sentia no fundo falta de acordar com alguém ao lado a quem não sentisse necessidade de pedir que lavasse os dentes antes de se voltarem a beijar. Porque esse é o critério científico mais preciso que conheço para detectar o amor. Conseguir desfrutar daquela doce – em teoria insuportável – halitose matinal da pessoa que se tem ao lado sem a interferência de um dentífrico. Mas isto sou eu que digo... E sempre ouvi a minha mãe dizer-me, carinhosamente é certo, que tenho uma certa pancada. Até porque, supostamente, estávamos aqui para falar de trapos, não era?
- Hoje não me apetece meter-me com nenhuma gaja. Apetece-me conversar. Achas que há aqui alguma rapariga que queira conversar?
- Claro que sim. – respondi.
Olhei para a pista e achei que metade daquela gente de aparência sexy e descontraída sentia no fundo falta de acordar com alguém ao lado a quem não sentisse necessidade de pedir que lavasse os dentes antes de se voltarem a beijar. Porque esse é o critério científico mais preciso que conheço para detectar o amor. Conseguir desfrutar daquela doce – em teoria insuportável – halitose matinal da pessoa que se tem ao lado sem a interferência de um dentífrico. Mas isto sou eu que digo... E sempre ouvi a minha mãe dizer-me, carinhosamente é certo, que tenho uma certa pancada. Até porque, supostamente, estávamos aqui para falar de trapos, não era?
sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Paris em Lisboa (e um desabafo)

O Stéphane é parisiense e, depois de se assegurar que não tinha que pagar nada – porque por melhor que me explique em inglês, francês, espanhol ou italiano não há turista que consiga confiar num tipo moreno de barba depois de lhe terem tentado impingir meia dúzia de vezes remisturas gitanas de haxixe e cocaína enquanto descia a Rua Augusta – lá acedeu amavelmente em ser fotografado. É um facto…do Hard Rock Café ao Terreiro do Paço parece haver uma espécie de zona franca onde é permitido vender aquela porcaria a todos os que por lá passem. Ali parece encontrar-se o paraíso do mais descerebrado dos traficantes porque, para experimentar qualquer problema com a autoridade, terá mesmo que tentar vender qualquer coisa... à própria autoridade [Não não...aparentemente não chega fazê-lo a 5 metros da autoridade (palavra que não). Quanto a oferecê-lo a um agente da autoridade, fica o desafio para um traficante mais audaz] Sou abordado em média por 5 anormais - o número triplica quando carrego a máquina - para comprar todo o tipo de porcaria que consiga passar por substância ilícita. E ainda não distribuí uma cabeçada num destes empecilhos que me abordam agressivamente (sim...agressivamente) porque: 1º, onde está um estão logo mais dois ou três; 2º, gosto de pensar que no dia seguinte posso lá passar descansado; 3º, gastei dinheiro de mais na minha máquina para a estragar por causa de uns trastes que andam a burlar turistas (aparentemente o termo burla não é familiar aos agentes de autoridade que já tentei sensibilizar porque todos me responderam que como “o que eles vendem não é mesmo droga não há nada que possamos fazer”)
Mas ó Stéphane desculpa lá que o que eu te disse foi que isto é um blog onde “je publie des photos des gens dont j´aime le style” e não de pretensa crítica social. E uma das coisas que mais gostei em ti meu caro… foi que não tinhas uma única peça de roupa que fosse parecida com o que quer que possa encontrar no meu guarda-roupa e, não obstante, te achei de uma elegância e bom gosto incríveis. Acredita...não uso camisas justas, calças de tons esbranquiçados, sapatos pontiagudos ou relógios rectangulares e, no entanto, essa tua pinta de mosqueteiro do século XXI caiu-me tão bem… Resta-me esperar que tenhas um amigo português em Paris (rezam as crónicas que não é difícil) porque de que me adianta estar aqui a dar-te chutos no ego se tu nunca vieres a saber dos mesmos, não é?
Mas ó Stéphane desculpa lá que o que eu te disse foi que isto é um blog onde “je publie des photos des gens dont j´aime le style” e não de pretensa crítica social. E uma das coisas que mais gostei em ti meu caro… foi que não tinhas uma única peça de roupa que fosse parecida com o que quer que possa encontrar no meu guarda-roupa e, não obstante, te achei de uma elegância e bom gosto incríveis. Acredita...não uso camisas justas, calças de tons esbranquiçados, sapatos pontiagudos ou relógios rectangulares e, no entanto, essa tua pinta de mosqueteiro do século XXI caiu-me tão bem… Resta-me esperar que tenhas um amigo português em Paris (rezam as crónicas que não é difícil) porque de que me adianta estar aqui a dar-te chutos no ego se tu nunca vieres a saber dos mesmos, não é?
Mas insisto…fico a fazer figas para que um dia o filho do António Costa tenha necessidade de fazer a rua Augusta de máquina na mão. Tenho a certeza que, tal triste é o cenário que ali se vislumbra, fosse por brio de chefe do executivo camarário ou amor de pai, as coisas por ali não voltariam a ser como são hoje. Porque o menos engraçado de tudo isto - sabes qual é Stéphane? - é que até parece que estou a exagerar. Mas não estou. Palavra que não estou
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
André e o seu skate (e se calhar aquelas t-shirts com o Kurt Cobain estavam mesmo certas e o Grunge não chegou nunca a morrer)
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
domingo, 11 de Outubro de 2009
We're jamming I wanna jam it with you, We're jamming jamming and I hope you like jamming too

Não é fácil gostar-se muito do Bairro Alto e não se ter por familiar este rosto. Não me imagino a fazer Rua da Atalaia, a meio da tarde ou dum longo serão, sem me cruzar com o Rui. Há pessoas que se tornam personagens na nossa cabeça. Que mesmo sem as conhecermos, têm direito a imagens e argumentos no nosso imaginário. De tanto reparar nas pessoas, sinto-me capaz de escrever pequenos contos sobre gente que nunca se deve ter sequer dado conta da minha existência. E estou convencido que nesse meu imaginário de que vos falo, o Rui me apareceria com umas calças amarelas, de um amarelo vivo, a condizer com uma boina à Bob Marley e a cor do cabelo dumas turistas com quem o devo ter visto a conversar um dia
Mais que quaisquer créditos técnicos nas fotografias que aqui aparecem, acho que o meu mérito é conseguir que alguém com quem nunca tinha falado 30 segundos antes, consiga posar naturalmente e despreocupado q.b., com o que vai fazer um estranho que se lhe acabou de apresentar e o convida a participar no seu blogue. Parte dessa abordagem passa por fotografar a pessoa na posição, pose ou atitude com que mais confortável se sentir. O Rui, mesmo sem os tons jamaicanos com que aparece no meu imaginário, estava afinal igual a si próprio. Sem eu ter feito sequer qualquer sugestão entendeu que devia saltar. Saltou ao pé-coxinho, a pés juntos, brandiu a camisola e sei lá mais o quê. E eu, salvo talvez em uma fracção de segundo de estupefacção, não perdi tempo a pensar porquê. Posso não o ter apanhado com as cores vivas com que me habituei a vê-lo mas que o consegui apanhar igual a si próprio (…desculpem lá a presunção…), ai isso ninguém me tira. No fundo…“we're jamming”
Mais que quaisquer créditos técnicos nas fotografias que aqui aparecem, acho que o meu mérito é conseguir que alguém com quem nunca tinha falado 30 segundos antes, consiga posar naturalmente e despreocupado q.b., com o que vai fazer um estranho que se lhe acabou de apresentar e o convida a participar no seu blogue. Parte dessa abordagem passa por fotografar a pessoa na posição, pose ou atitude com que mais confortável se sentir. O Rui, mesmo sem os tons jamaicanos com que aparece no meu imaginário, estava afinal igual a si próprio. Sem eu ter feito sequer qualquer sugestão entendeu que devia saltar. Saltou ao pé-coxinho, a pés juntos, brandiu a camisola e sei lá mais o quê. E eu, salvo talvez em uma fracção de segundo de estupefacção, não perdi tempo a pensar porquê. Posso não o ter apanhado com as cores vivas com que me habituei a vê-lo mas que o consegui apanhar igual a si próprio (…desculpem lá a presunção…), ai isso ninguém me tira. No fundo…“we're jamming”
sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Hugo...Hugo Boss


Percorri metade do Príncipe Real num passo apressado. Apressado mesmo...não queria perder esta foto por nada. Acho que se o tivesse fotografado em Milão teria dado comigo a pensar que apenas ali poderia encontrar alguém tão elegante. Mas não, é Lisboa… E o mais interessante é que nada ali se assemelha ao que uso. O corte do fato, o colarinho da camisa, a largura da gravata ou o par de ténis (brancos) que nunca uso com casaco. Mas é isto que eu mais gosto – deixar-me impressionar por aquilo que costumo deixar de lado. Quanto ao modelo…disse-me que se chamava Hugo. Mas para mim…mais que a Hugo, soa-me a Hugo Boss. E para que conste, não é para o Hugo que o trocadilho é lisonjeiro…mas para a Boss
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Tá ligado no movimento?

Estava cansado e, confesso, com pouca vontade de conhecer o amigo do Pedro. Além do mais sabia que se tinham conhecido na Indonésia e que me habilitava a uma hora de conversa sobre esquerdas, direitas, spots e locals. O Rodrigo chega numa bicicleta de motor eléctrico “que é para não transpirar” e distribui “belezas” a cada 30 segundos. Tem uma presença agradável demais para não se simpatizar com ele e acabamos a visitar a sua produtora.
O ambiente é afável e dou comigo a perguntar pelos projectos que têm em curso. Parece haver um especial da inteira autoria da VERdesign e é curioso que numa sala cheia de Macintoshs mo vêm apresentar no meu formato preferido – o livro. Tá Ligado no Movimento é um projecto para uma série de animação 2D que conta a história de Zinho…um miúdo que “pinta o rosto de palhaço e começa a fazer malabarismos com bola de ténis no sinal de trânsito, como forma de arrecadar algum trocado” e que, a dada altura, acaba “a fazer parte de um grupo de meninos de rua”. Junto-me ao Ministério da Cultura Brasileiro na lista de fãs. Posso não os financiar mas falo-lhes no Alfaiate. O que faço neste blogue é agarrar na moda (que eu acho que) se faz na rua e servir-me dela para falar daquilo que me apetece. Inverter a lógica tira graça e naturalidade às coisas. Mas se há boa ocasião para abrir uma excepção é esta. Adoro a energia do Rodrigo e do Rafinha e fico cheio de vontade de fazer este post.
- Quem é que vou fotografar? - pergunto.
Respondem em uníssono:
- Meton! É o grafiter e criativo e tem um figuraço!
- Quem é que vou fotografar? - pergunto.
Respondem em uníssono:
- Meton! É o grafiter e criativo e tem um figuraço!
Já há não há luz natural lá fora e as fotos que vejo nas paredes parecem-lhes dar razão. O Meton não está e eu vou-me embora no dia seguinte. Que se lixe…enviam-me a fotografia depois. Exacto… esta não fui eu que tirei, mas o Rafinha "bateu-a" propositadamente para a ocasião. Mas que fique claro…não sou eu que sou muito simpático. O que eu acho é que este projecto é mesmo bom. Tudo o que eu quero é poder gabar-me de o ter descoberto primeiro! Deixo-vos o "figuraço" ao lado da sua obra
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Calçadão - Garotos de Ipanema


Estava cansado e deitei-me. Achei que acordaria fresco e com energia para escrever um texto que fizesse justiça às imagens e à cidade. Mas não, acho que não vai resultar. Acabei de trocar o nome próprio a alguém que me endereçou um convite particularmente interessante…e depois, (imediatamente a seguir a me ter desculpado e rectificado o engano) não contente o suficiente, encaminhei de novo o e-mail para a pessoa em causa, pensando que o fazia para minha irmã, a troçar da minha própria bacorada e ironizando “show de bola do Alfaiate”. Belo show Zé…belo show… Há alturas em que convém reconhecer que o melhor mesmo a fazer é ficar calado. Queria falar do Rio, do seu encanto, dos cariocas, da particularidade de aqui, antes do interesse pela forma como se aparece vestido, toda gente se parecer preocupar com a forma como se apresenta despido e de outras mil pequenas coisas que me tinham ocorrido antes. Mas não, melhor mesmo é ficar quietinho (e calado) e deixar o Léo e a… (não me lembro…e parece-me que não é o dia certo para tentar arriscar) falarem por si. Melhor assim…
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
terça-feira, 29 de Setembro de 2009
São Conrado - Casual sofisticado, smart chic ou lá o que lhe quiserem chamar

Casual sofisticado, smart chic ou lá o que lhe quiserem chamar. Estes rótulos fazem-me sempre tanto sentido quanto me dizerem que gostam de ouvir drum & bass orgânico no metro, levar literatura russa do terceiro quartel do século XIX para a praia ou ir ao Nimas ver cinema francês de realismo poético. Pese embora a minha falta de jeito para interpretar estes conceitos rococós trabalhados a talha dourada, o casual sofisticado e o smart chic tentam sempre transportar-me para a imagem dum gajo de casaco vestido e calçado desportivo, com ar descontraído (que as preocupações dos outros nunca foram temática sexy) e copo na mão e, se possível, com um barco ou uma marina em pano de fundo.
Quando recebia SMSs para ir a castings com estas expressões assumia sempre (que eu sou um gajo de processos simples e, por regra, quando ando de barco pago bilhete) que o que me estavam a querer dizer com jeitinho era “Zé…evita aparecer de t-shirt sem mangas desta vez, pode ser?”. Sim porque isto das mangas e da sua dispensa tem muito que se lhe diga. Às mulheres toda a gente gosta de ver os braços, as pernas e, de preferência, o peito também mas um gajo, por não apreciar tresandar num dia quente ou fazer sauna numa discoteca já passa por exibicionista ou, à laia de alguns comentários que ouvi antes de haver t-shirts de alças à venda nas surf shops (que a partir do momento em que as marcas de surf vendem “já pode ser, não fica mal e até é cool”), habilita-se a meia dúzia de associações grosseiras ao ramo da construção.
Mas enfim…aqui o Nick preencheria certamente todos os requisitos e mais alguns. Isto porque no fundo…o que o casual sofisticado e o smart chic querem mesmo dizer é “cocó mas não cagão o suficiente ao ponto de parecer um coninhas”. E o Nick, de coninhas não tinha nada. Era um gajo porreiro. Um gajo porreiro impecavelmente vestido para ir a um casting
Quando recebia SMSs para ir a castings com estas expressões assumia sempre (que eu sou um gajo de processos simples e, por regra, quando ando de barco pago bilhete) que o que me estavam a querer dizer com jeitinho era “Zé…evita aparecer de t-shirt sem mangas desta vez, pode ser?”. Sim porque isto das mangas e da sua dispensa tem muito que se lhe diga. Às mulheres toda a gente gosta de ver os braços, as pernas e, de preferência, o peito também mas um gajo, por não apreciar tresandar num dia quente ou fazer sauna numa discoteca já passa por exibicionista ou, à laia de alguns comentários que ouvi antes de haver t-shirts de alças à venda nas surf shops (que a partir do momento em que as marcas de surf vendem “já pode ser, não fica mal e até é cool”), habilita-se a meia dúzia de associações grosseiras ao ramo da construção.
Mas enfim…aqui o Nick preencheria certamente todos os requisitos e mais alguns. Isto porque no fundo…o que o casual sofisticado e o smart chic querem mesmo dizer é “cocó mas não cagão o suficiente ao ponto de parecer um coninhas”. E o Nick, de coninhas não tinha nada. Era um gajo porreiro. Um gajo porreiro impecavelmente vestido para ir a um casting
domingo, 27 de Setembro de 2009
Seja bem vindo ao Rio

- Seus documentos por favor.
“Já me lixei” pensei comigo (foi outra a expressão que me passou pela cabeça mas não vejo necessidade de inaugurar outro tipo de vocabulário por aqui). A Ana, uma argentina a viver no Rio há dois anos, tinha insistido para que não me ficasse pela zona mais turística e oferece-me uma boleia até ao Centro. Disse que não me preocupasse por não ter capacete pois "dava caronas" desde que ali vivia e isso nunca tinha sido problema antes. Quando viajo tenho por hábito pôr-me nas mãos, no bom senso e nas vivências daqueles que lá vivem – seja há 2 anos ou há uma vida inteira. A conversa tinha começado pelos motivos do costume. Não há um raio de sol, eu ando de shorts e alças mas percebo que os cariocas aproveitam o seu Inverno (aos meus olhos meramente teórico) para usar os casacos e as camisolas que têm lá por casa. A Ana teve um ataque súbito de felicidade quando viu, dentro da minha mochila, a Time Out que tinha levado para matar os tempos mortos que nunca chegaram a nascer. É fotógrafa freelancer e foi a convite de bater umas fotos para a Time Out Rio que deixou Buenos Aires. Desde aí que não se imagina a viver longe do Flamengo. A única coisa que lhe tenho a apontar é o seu mau juízo relativamente ao código da estrada. O PM mostra-nos as alíneas que desrespeitámos e confirma:
- Apreensão de licença e motorizada (e uma multa de três dígitos que mesmo falando em reais já assusta).
E depois, de 3 em 3 minutos aparece um policial diferente que pergunta o que se passa e remata com ar insolente:
- Apreensão!
Acho que percebi o filme antes da Ana. Ela estava ocupada demais a ver a sua vida andar para trás. Enquanto aqueles monos tentavam compreender se ela trabalhava para a embaixada brasileira na Argentina ou para a embaixada argentina no Brasil eu ainda ruminava se deveria avançar para o "polícia bom" ou se não passo afinal dum preconceituoso etnocêntrico que só consegue conceber civilização no continente europeu e começa a ver Cidades de Deus e Tropas de Elite onde eles não existem. Mas não, o filme era mesmo aquele. E é um filme triste ver dois polícias de metralhadora em punho representarem uma peça de teatro de valor artístico equiparável àquelas em que participei nos meus tempos de catequese. É triste e contrasta radicalmente com aquele lindo pano de fundo da Lagoa. Lembrei-me dos dois polícias búlgaros que, há 5 anos atrás, enquanto atravessava o seu país de comboio, me pediram um ou dois euros enquanto retinham o meu passaporte na sua mão. Esses não tinham metralhadoras. Mas o porte gigantesco e a entoação chantagista eram bem mais assustadores que o tom falsete do matulão a quem hoje calhava o papel de "polícia mau". Dou o toque à Ana e deixo-os a negociar mas pelo que o vento me traz da conversa os 28 reais que traz com ela não são o suficiente. Quando ficamos sozinhos de novo lembro-lhe, num tom calmo, que tenho 50 reais em cada bolso e que – deixemo-nos de tangas e falsos moralismos – a verdade é que cometemos uma infracção e que, por mais que nos entretenhamos a cascar naqueles gajos, a possibilidade que eles nos estão a dar é uma óptima oportunidade de sairmos dali respectivamente, com uma boa história para contar e um post original para publicar. Ela sorri, concorda e aceita 30 reais.
Já passou…encontramo-nos mais à frente. A Ana ainda está a recuperar do susto de se ver impossibilitada de "dirigir" durante não sei quanto tempo. Não resisto, olho para aquela figura simpática e despeço-me com um abraço e um beijo na testa. Ela insiste que está em dívida e que me leva a almoçar ou jantar. Logo se vê…esta despedida parece-me muito bem assim. Vou passear para a Lagoa e dou comigo a tentar cantarolar um excerto duma música do Gabriel o Pensador que sabia de cor há 14 anos atrás…
“Já me lixei” pensei comigo (foi outra a expressão que me passou pela cabeça mas não vejo necessidade de inaugurar outro tipo de vocabulário por aqui). A Ana, uma argentina a viver no Rio há dois anos, tinha insistido para que não me ficasse pela zona mais turística e oferece-me uma boleia até ao Centro. Disse que não me preocupasse por não ter capacete pois "dava caronas" desde que ali vivia e isso nunca tinha sido problema antes. Quando viajo tenho por hábito pôr-me nas mãos, no bom senso e nas vivências daqueles que lá vivem – seja há 2 anos ou há uma vida inteira. A conversa tinha começado pelos motivos do costume. Não há um raio de sol, eu ando de shorts e alças mas percebo que os cariocas aproveitam o seu Inverno (aos meus olhos meramente teórico) para usar os casacos e as camisolas que têm lá por casa. A Ana teve um ataque súbito de felicidade quando viu, dentro da minha mochila, a Time Out que tinha levado para matar os tempos mortos que nunca chegaram a nascer. É fotógrafa freelancer e foi a convite de bater umas fotos para a Time Out Rio que deixou Buenos Aires. Desde aí que não se imagina a viver longe do Flamengo. A única coisa que lhe tenho a apontar é o seu mau juízo relativamente ao código da estrada. O PM mostra-nos as alíneas que desrespeitámos e confirma:
- Apreensão de licença e motorizada (e uma multa de três dígitos que mesmo falando em reais já assusta).
E depois, de 3 em 3 minutos aparece um policial diferente que pergunta o que se passa e remata com ar insolente:
- Apreensão!
Acho que percebi o filme antes da Ana. Ela estava ocupada demais a ver a sua vida andar para trás. Enquanto aqueles monos tentavam compreender se ela trabalhava para a embaixada brasileira na Argentina ou para a embaixada argentina no Brasil eu ainda ruminava se deveria avançar para o "polícia bom" ou se não passo afinal dum preconceituoso etnocêntrico que só consegue conceber civilização no continente europeu e começa a ver Cidades de Deus e Tropas de Elite onde eles não existem. Mas não, o filme era mesmo aquele. E é um filme triste ver dois polícias de metralhadora em punho representarem uma peça de teatro de valor artístico equiparável àquelas em que participei nos meus tempos de catequese. É triste e contrasta radicalmente com aquele lindo pano de fundo da Lagoa. Lembrei-me dos dois polícias búlgaros que, há 5 anos atrás, enquanto atravessava o seu país de comboio, me pediram um ou dois euros enquanto retinham o meu passaporte na sua mão. Esses não tinham metralhadoras. Mas o porte gigantesco e a entoação chantagista eram bem mais assustadores que o tom falsete do matulão a quem hoje calhava o papel de "polícia mau". Dou o toque à Ana e deixo-os a negociar mas pelo que o vento me traz da conversa os 28 reais que traz com ela não são o suficiente. Quando ficamos sozinhos de novo lembro-lhe, num tom calmo, que tenho 50 reais em cada bolso e que – deixemo-nos de tangas e falsos moralismos – a verdade é que cometemos uma infracção e que, por mais que nos entretenhamos a cascar naqueles gajos, a possibilidade que eles nos estão a dar é uma óptima oportunidade de sairmos dali respectivamente, com uma boa história para contar e um post original para publicar. Ela sorri, concorda e aceita 30 reais.
Já passou…encontramo-nos mais à frente. A Ana ainda está a recuperar do susto de se ver impossibilitada de "dirigir" durante não sei quanto tempo. Não resisto, olho para aquela figura simpática e despeço-me com um abraço e um beijo na testa. Ela insiste que está em dívida e que me leva a almoçar ou jantar. Logo se vê…esta despedida parece-me muito bem assim. Vou passear para a Lagoa e dou comigo a tentar cantarolar um excerto duma música do Gabriel o Pensador que sabia de cor há 14 anos atrás…
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
domingo, 20 de Setembro de 2009
O Macacão

Volta e meia perguntam-me porque é que não tiro fotografias à noite. Vamos deixar as questões técnicas de parte. Sair à noite com uma máquina na mão para fotografar em festas foi a melhor forma que encontrei, nos meus tempos de faculdade, de juntar o útil – ganhar uns trocos – ao agradável – conhecer umas miúdas. Os tempos são outros, as minhas motivações também.
Mas foi precisamente à porta do Lux que me cruzei com Christoph. Achei-lhe graça e fiquei a olhar para trás como se me tivesse cruzado com a Adriana Lima. E foi precisamente o Christoph, e não a Adriana Lima, que encontrei, 12 horas depois, ali no Chiado. O resto da história já vocês conhecem…
Mas foi precisamente à porta do Lux que me cruzei com Christoph. Achei-lhe graça e fiquei a olhar para trás como se me tivesse cruzado com a Adriana Lima. E foi precisamente o Christoph, e não a Adriana Lima, que encontrei, 12 horas depois, ali no Chiado. O resto da história já vocês conhecem…
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
terça-feira, 15 de Setembro de 2009
domingo, 13 de Setembro de 2009
Bafureira - O surfista

Não é de roupa que vos venho falar. Aliás…as lojas de surf são provavelmente o último sítio do mundo onde entro para a comprar. Achei que um blogue como este, que se queda por Lisboa e cercanias, seria sempre um blogue autista se não gastasse um post com um surfista. É o conceito estético masculino mais forte que me ocorre por estas bandas. Desde a miúda que se baba com o colega que sai das aulas de prancha debaixo do braço, à mulher do Pedro, passando por milhares de outras alfacinhas, qual delas não encontrou um dia algum encanto num surfista? Ouvi um dia ali em São João um amigo dizer para o outro: “se jogo à bola é porque não lhe faço companhia, se jogo raquetes é porque faço barulho, tu deixas a tua mulher duas horas na areia e ainda és recebido com um beijo e uma sandwich na boca”.
A postura cool, o calão moderado, aquela conversa secante do “o mar está isto, o mar está aquilo”, o sorriso aberto e descontraído. Ok…tudo tretas e clichés. Mas tudo tretas e clichés de aparência sexy, não é verdade? Estou-me a lembrar de um dia ter visto em Carcavelos, o Pedro e o seu puto mais velho em cima duma Longboard. Pareceu-me impossível conceber imagem mais sexy aos olhos duma mulher. Por essas e por outras não me custou perceber o que viu nele uma ex. sua, que anos antes quando dava aulas no liceu onde estudei, mudou para sempre a minha relação com as mulheres. Essa história também não é má, mas fica para outro dia. Hoje deixo-vos o Pedro, com o seu olhar divertido, sorriso aberto e riso incontido que o seu puto mais novo já parece ter herdado. E deixem-me que vos diga (meio a sério meio a brincar) … Para mim, mulher lisboeta que negar tudo isto, é como aquela que não faz chichi no fato de surf. É mentirosa
sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
Um panamá sevilhano em Lisboa

Há coisa de dois meses recebi um e-mail diferente. Alguém que me dizia ter um panamá em casa e que, caso eu achasse o dito chapéu interessante, se disponibilizava para ser fotografado. Respondi a agradecer a proposta que me via forçado a declinar. Apenas por este blogue viver, acima de tudo, de pequenos encontros reais precedidos por algo a que nem muito remotamente me agrada chamar selecção. E ainda ontem me perguntaram:
- O que é preciso para aparecer no Alfaiate?
Juro que já não sei o que respondi. E nesta fotografia bem que podia estar quem me escreveu tão gentil e-mail. Mas não está. É Antonio Alvear. Que me falou da vida, das mulheres (das sevilhanas em particular) e da casa que estou, desde aquele momento, convidado a visitar. A ele este post, mas também a quem me decidiu escrever, há dois meses atrás.
- O que é preciso para aparecer no Alfaiate?
Juro que já não sei o que respondi. E nesta fotografia bem que podia estar quem me escreveu tão gentil e-mail. Mas não está. É Antonio Alvear. Que me falou da vida, das mulheres (das sevilhanas em particular) e da casa que estou, desde aquele momento, convidado a visitar. A ele este post, mas também a quem me decidiu escrever, há dois meses atrás.
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Zé da bina
Querem uma assim? Este artigo explica-vos o quê, onde e porquê. E se tudo o que vos faltava era um pretexto…arranca hoje um. Dos bons … o Bicycle Film Festival
Mas faça-se justiça ao Zé. O Zé não é apenas o rapaz da bina (mais gira de Lisboa). O Zé é também o rapaz daquele logótipo ali de cima com a perninha do O a fugir para o E. Se já me gabo de o ter aprovado, imagino o que não me gabaria se o tivesse desenhado
Mas faça-se justiça ao Zé. O Zé não é apenas o rapaz da bina (mais gira de Lisboa). O Zé é também o rapaz daquele logótipo ali de cima com a perninha do O a fugir para o E. Se já me gabo de o ter aprovado, imagino o que não me gabaria se o tivesse desenhado
segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Smells like Kanye West

Mais que um ser branco e outro preto… a grande diferença entre mim e o João é que eu, vestido assim, pareceria parte de uma boys band. O João parece o Kanye West. Sacana do João
sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Aperitivo al Duomo - The simpler the better

A t-shirt. Para mim é a t-shirt. Eu sei…esta lá a eterna combinação do “azul, branco, encarnado” e um capacete impecavelmente condicente com o par de calçado. Mas para mim é a t-shirt. Tenho amigos que ainda as escolhem como quem elege um poster para ter no quarto. Pessoalmente dispenso grandes sentenças ou ilustrações; preocupo-me com o corte. Mas não é fácil encontrá-lo. Restam-me as dicas do meu amigo João Diogo, que com apenas uma tesoura na mão, ataca golas claustrofóbicas e mangas pesadonas. João…fazes-me uma assim?
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Luigi - O arco-íris em Milão


Não consigo conter a excitação. O Luigi ainda não tinha voltado costas e já enviava uma sms à minha irmã a descrevê-lo da cabeça aos pés. Tudo me impressionou: cada peça, cada acessório, o porte, o charme, até a masculinidade imaculada que aquelas cores não conseguem beliscar. “Quando for grande quero ser como ele”, dou comigo a pensar. Se o Alfaiate acabasse hoje dormiria descansado. Mas quem é que eu estou a tentar enganar… acabar? O tanas. Já está para além do meu controlo.
Até amanhã
domingo, 30 de Agosto de 2009
sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
Cinque Terre (Corniglia) - Yim

(se não se importam deixo os trapos de lado por um post)
Este miúdo foi a pessoa mais especial que conheci. Começo por desconfiar disso pelos motivos mais fúteis. Dei-me conta que, entre o grupo de viajantes solitários que se juntou espontaneamente em Florença, o Yim goza duma enorme popularidade entre as raparigas. Sempre me senti fascinado por aqueles tipos que, sem terem necessariamente a tromba do Narciso ou a volumetria muscular do Adónis, quase me fazem acreditar que o amor, o jogo de sedução ou o mais tacanho dos engates se regem por uma espécie de meritocracia onde se safa melhor o mais interessante ou bem formado, mesmo quando não exibe necessariamente a largura de ideal entre ombros, os lábios mais carnudos ou o olhar mais vibrante.
O Yin foi-me apresentado como “Jim from Amesterdam” mas à primeira conversa direita que tenho com ele a minha presunção pseudo-sociológica assume que aquele gajo não pode descender de um emigrante asiático bem sucedido na Holanda. Pergunto-lho pelas suas origens e ele explica-mas com a naturalidade de quem passou uma vida inteira a fazê-lo. O Yim nasceu na Coreia do Sul e foi abandonado pela mãe num orfanato. Aos 3 meses é adoptado por um casal holandês que, 3 anos depois, decide a repetir a experiência com uma criança da Serra Leoa. “So it’s me and my black brother” conclui sorridente. Vem-me à lembrança uma amizade holandesa de olhos em bico que fiz em miúdo na praia da Calada e ocorre-me o pensamento saloio:
- That’s normal in Holland!
Ele ri-se, abana a cabeça, explica o quão pouco convencional consegue ser a sua família no bairro finório de Amesterdão onde vive e, com uma gargalhada apenas, deita por terra a minha concepção de admirável mundo novo holandês.
O Yin seguiu para Cinque Terre com o Mike. Apetece-me gozar mais um dia de Florença e prometo que me junto a eles no dia seguinte. Já achei mais graça às histórias sobre as acrobacias horizontais que o Mike protagonizou com metade das cheerleaders da sua equipa de futebol americano e declino delicadamente seguir com ele para Nice. No fundo fico feliz por ficar eu e o Yin. Quando se espera da amizade um sentimento de partilha e compreensão mútua que a idade torna casa vez mais rara, fico contente por, mesmo com a leve barreira linguística de permeio, me sentir capaz de reviver tais partilhas. Passamos as noites a trocar os cromos das nossas sortes enquanto partilhamos uma garrafa de branco, ouvimos os grilos e balançamos as pernas sobre o mar, sentados na torre da minúscula Corniglia. E é aí mesmo que na ultima noite, meio vindo do nada, o Yim me conta que perdeu o pai faz dois meses. Penso nas 1001 perguntas que lhe fiz sobre a família e toda a curiosidade parola que demonstrei pelo seu suposto exotismo. Numa viagem onde toda a gente me conta a sua vida pessoal, sexual e afectiva após 10 minutos de conversa este gajo precisou de quase uma semana para me contar aquilo que lhe devia tomar o pensamento em todos os momentos que o apanhei a cismar. E sabem que mais...os Clã que me desculpem mas os versos "A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém" não se adequam aqui. Falar inglês não me ajuda e acabo por experimentar o meu maior problema de expressão. No dia seguinte despedimo-nos entre o bulício da estação de Milano Centrale. Olho para trás e sinto um misto de tristeza e remorso por não ter pousado a mochila antes de o abraçar
terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Cinque Terre (Vernazza) - Un bello ragazzo italiano (visual mediterrânico)


Cinque Terre é um sítio especial. Cinco pequenas localidades ligadas por trilhos relativamente estreitos desenhados nas escarpas que caiem sobre o Mediterrânico. Comento com o Yim – de quem vos conto vir a falar – que tenho pena de não ter encontrado ainda ninguém para fotografar. Tenho centenas de fotografias pessoais mas já que fiz questão de vos trazer aqui a minha viagem seria uma pena não ter ao menos uma desculpa para vos falar desta terra. Tenho por resposta imediata:
- Man…you have to find a beautiful girl to your blog.
Encontro-a minutos depois. Está com o namorado. Faço aquele exercício saudável de me pôr na pele dos outros; imagino-me a olhar de lado para qualquer cromo que me aparecesse à frente a dizer que gostaria de fotografar a minha namorada e acabo a sugerir (inspirado por aquela célebre máxima do Lavoisier e por umas calças brancas que nunca me consegui convencer a usar)…fotografá-lo a ele
- Man…you have to find a beautiful girl to your blog.
Encontro-a minutos depois. Está com o namorado. Faço aquele exercício saudável de me pôr na pele dos outros; imagino-me a olhar de lado para qualquer cromo que me aparecesse à frente a dizer que gostaria de fotografar a minha namorada e acabo a sugerir (inspirado por aquela célebre máxima do Lavoisier e por umas calças brancas que nunca me consegui convencer a usar)…fotografá-lo a ele
domingo, 23 de Agosto de 2009
sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Australian girls are awesome


É impossível estar em Florença e não pensar naqueles velhotes deliciosos enfiados em fatos impecavelmente talhados à sua medida, nos lenços na lapela que usam com a mesma naturalidade que nós usamos gravatas e nas meias de cores mais garridas que as colecções da Agatha Ruiz de la Prada. Um editor de moda do la Repubblica recorda-me: “Firenze non è Pitti Uomo”. É verdade, a rua mostra uma realidade completamente diferente. Até um homem de casaco se torna difícil de encontrar. Não os censuro. Estão 37ºC e uma humidade insuportável. Olho à volta e só vejo turistas. Mini-saias, havaianas, alças, bíceps desnudos, decotes suados e ombros descobertos. A Emma aparece à minha frente. Olho para ela e pergunto-me:
- Mas afinal de contas…do que é que te estás a queixar?
- Mas afinal de contas…do que é que te estás a queixar?
quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
domingo, 16 de Agosto de 2009
Florença - Vestido turquesa
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
48 horas bipolares
Fui de propósito a Génova comprar uma máquina nova. Achei que já que tinha que o fazer, que fizesse um pequeno upgrade…e acabo a gastar um ordenado inteiro numa máquina e lente novas. Não é que sejam excepcionais, eu é que também não ganho muito (sei que o meu director volta e meia visita o blog e eu, na verdade, nunca fui conhecido por ser um gajo subtil…)
Cheguei a Cinque Terre tarde de mais para conseguir alojamento e acabo a implorar para ficar no último sítio onde planeava ficar – parques de campismo. Mesmo com a máquina nova, parece que ainda vivo o momento da noite anterior, e ser rejeitado por não ter tenda começa a deixa-me a moral debilitada. A ideia de me deitar na praia e acordar a meio da noite a ser pontapeado por algum Carabinieri mal disposto não me seduz particularmente e acabo a capitalizar o pouco charme que me resta para convencer o casal de recepcionistas dum dos parques de campismo a deixar-me pagar para dormir ao relento.
Não adianta negá-lo…isto de viajar sozinho é muito bonito mas quando algo corre verdadeiramente mal, ou gastamos meia hora de roaming com o nosso melhor amigo, ou arriscamos uma vulnerabilidade extrema. (apesar de não ser novidade) Dormir ao relento, no meio de famílias em tendas e auto caravanas a olhar-me de lado, com a máquina nova dentro do saco-cama cujo fecho acabo de descobrir que está estragado, não é propriamente a imagem que tinha para as minhas férias.
Na manhã seguinte conheço um Finlandês. A empatia é imediata e o reconforto social anima-me de imediato. Chego a equacionar juntar-me a ele em direcção a Roma mas acabo a seguir por minha conta. Já em Florença procuro um sítio para jantar fora da confusão turística e dou com um belo terraço cheio de italianos. É deste terraço que vos escrevo. Um grupo de florentinos convida-me a brindar com eles e dou comigo a recordar que em Itália, as mulheres bonitas reparam em mim mais que em qualquer outro país (atire a primeira pedra quem nunca encontrou conforto na atenção de estranhos) mas isso, ao invés de me despertar a libido, traz-me à memória apenas aquilo que mais preciso para me animar; quando se viaja sozinho, apenas se está só na medida em que se o deseja. Olho para as últimas 48 horas e, já com a cara de parvo que tão bem me caracteriza, sorrio ao recordar aquela célebre frase da mãe do Forrest Gump: “Life's a box of chocolates, Forrest. You never know what you're gonna get”
Cheguei a Cinque Terre tarde de mais para conseguir alojamento e acabo a implorar para ficar no último sítio onde planeava ficar – parques de campismo. Mesmo com a máquina nova, parece que ainda vivo o momento da noite anterior, e ser rejeitado por não ter tenda começa a deixa-me a moral debilitada. A ideia de me deitar na praia e acordar a meio da noite a ser pontapeado por algum Carabinieri mal disposto não me seduz particularmente e acabo a capitalizar o pouco charme que me resta para convencer o casal de recepcionistas dum dos parques de campismo a deixar-me pagar para dormir ao relento.
Não adianta negá-lo…isto de viajar sozinho é muito bonito mas quando algo corre verdadeiramente mal, ou gastamos meia hora de roaming com o nosso melhor amigo, ou arriscamos uma vulnerabilidade extrema. (apesar de não ser novidade) Dormir ao relento, no meio de famílias em tendas e auto caravanas a olhar-me de lado, com a máquina nova dentro do saco-cama cujo fecho acabo de descobrir que está estragado, não é propriamente a imagem que tinha para as minhas férias.
Na manhã seguinte conheço um Finlandês. A empatia é imediata e o reconforto social anima-me de imediato. Chego a equacionar juntar-me a ele em direcção a Roma mas acabo a seguir por minha conta. Já em Florença procuro um sítio para jantar fora da confusão turística e dou com um belo terraço cheio de italianos. É deste terraço que vos escrevo. Um grupo de florentinos convida-me a brindar com eles e dou comigo a recordar que em Itália, as mulheres bonitas reparam em mim mais que em qualquer outro país (atire a primeira pedra quem nunca encontrou conforto na atenção de estranhos) mas isso, ao invés de me despertar a libido, traz-me à memória apenas aquilo que mais preciso para me animar; quando se viaja sozinho, apenas se está só na medida em que se o deseja. Olho para as últimas 48 horas e, já com a cara de parvo que tão bem me caracteriza, sorrio ao recordar aquela célebre frase da mãe do Forrest Gump: “Life's a box of chocolates, Forrest. You never know what you're gonna get”
quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
O meu principado por uma máquina fotográfica
Montecarlo
Os dois holandeses de quem fiquei amigo após meia hora de conversa começam a sentir a mesma náusea de que já me venho a queixar. Ali nada soa real ou humano, tudo me parece importado duma janela do Photoshop. Mas o Frisos continua a contabilizar os Lamborghinis e o Julian os Maybachs que não param de passar. Um deles berra qualquer coisa. Desconfio que acabaram de ver o Bugatti que lhes faltava encontrar. No momento em que me volto parece haver um desencontro de vontades entre as ordens do meu cérebro e os reflexos musculares da minha mão direita. A máquina cai. Entre a lente e o corpo não parece haver sobra que se aproveite. 10 segundos depois estou de rabo no chão e mãos na cabeça. Penso nas paredes do meu quarto forradas com gente que conheci nas minhas viagens, na felicidade inusitada que a porcaria dum blog me tem trazido e, principalmente, em tudo o que comprometi ao insistir fazer esta viagem sozinho. É exigir de mais a quem não me conhece que compreenda, mas dou comigo a questionar metade das decisões que tomei no último meio ano. Acabo sensibilizado, primeiro com os impropérios internacionais que oiço à minha volta, e depois, com o silêncio fraterno e as palmas das mãos que sinto nas costas. Digo-lhes que dificilmente conseguiria imaginar um momento como aquele sem lágrimas nos olhos. O telemóvel toca. É a namorada a quem ainda não consigo chamar ex. Já com a visão turva pergunto-lhes:
- What did I just tell you?
Os dois holandeses de quem fiquei amigo após meia hora de conversa começam a sentir a mesma náusea de que já me venho a queixar. Ali nada soa real ou humano, tudo me parece importado duma janela do Photoshop. Mas o Frisos continua a contabilizar os Lamborghinis e o Julian os Maybachs que não param de passar. Um deles berra qualquer coisa. Desconfio que acabaram de ver o Bugatti que lhes faltava encontrar. No momento em que me volto parece haver um desencontro de vontades entre as ordens do meu cérebro e os reflexos musculares da minha mão direita. A máquina cai. Entre a lente e o corpo não parece haver sobra que se aproveite. 10 segundos depois estou de rabo no chão e mãos na cabeça. Penso nas paredes do meu quarto forradas com gente que conheci nas minhas viagens, na felicidade inusitada que a porcaria dum blog me tem trazido e, principalmente, em tudo o que comprometi ao insistir fazer esta viagem sozinho. É exigir de mais a quem não me conhece que compreenda, mas dou comigo a questionar metade das decisões que tomei no último meio ano. Acabo sensibilizado, primeiro com os impropérios internacionais que oiço à minha volta, e depois, com o silêncio fraterno e as palmas das mãos que sinto nas costas. Digo-lhes que dificilmente conseguiria imaginar um momento como aquele sem lágrimas nos olhos. O telemóvel toca. É a namorada a quem ainda não consigo chamar ex. Já com a visão turva pergunto-lhes:
- What did I just tell you?
terça-feira, 11 de Agosto de 2009
domingo, 9 de Agosto de 2009
Smells like Saint-Tropez

Saint-Tropez tem pelo menos duas coisas em comum com a Rua Garret. Muita gente para fotografar e pouco espaço para o fazer discretamente. Guardei a máquina na bolsa e só a tirei quando vi este senhor. Lembram-se se ter falado em pólos Lacoste numa esplanada de Saint-Tropez?
sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
O outro lado de Cannes



Não lhe consigo achar metade do charme que lhe encontrei quando ali passei há dez anos. Temos um jantar mas ainda há tempo para dar uma volta pela cidade. Até as praias privadas abarrotam de gente. Sinto que estou numa feira de vaidades e perco a vontade de fotografar quem quer que seja. Estes miúdos parecem as únicas duas pessoas naquela cidade a agir descontraidamente. Curiosamente estão a treinar no topo da passadeira que serve de entrada ao festival que faz da cidade mundialmente famosa
O jantar é ao livre. O sitio é brutal. O ambiente é eventualmente um pouco mais cagão do que conseguiria suportar em Lisboa mas ali estou óptimo. Dou graças por me ter lembrado de juntar uma camisa de linho à dúzia de t-shirts de alças que trouxe comigo e vou desfrutando alegremente das atenções de que sou alvo. Não há uma única pessoa sóbria naquela mesa e não consigo deixar de ter a sensação de estar a apanhar uma bebedeira com o grupo de amigos dos meus pais. Há um tipo que se levanta e diz, em tom de ordem, que estamos todos convidados a ir dar uma volta no seu barco. São 3h da manha e estou a fazer a baía de Cannes. Só mesmo uma noite como esta torna possível gostar tanto de passar por uma cidade da qual se gostou tão pouco

(voilà le capitaine)
quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
United Colours of Croisette

A essência de viajar sozinho não assenta necessariamente em nenhum exercício de misantropia ou qualquer deficit de amigos. Baseia-se essencialmente no puro gosto de viajar sem ter que dar satisfações a ninguém sobre as possibilidades mais absurdas de itinerários que nos ocorrem a cada momento e, essencialmente, pelo potencial de conhecer pessoas novas que representa. Sendo que tenho por “pessoas novas” um conceito bem mais amplo que meia dúzia de gajas boas com fetiches por tipos de mochila as costas. A Joëlle e o Jean-Philippe sorriem para mim mal atiro a mochila para cima do banco. São parisienses e estao a passar as férias na sua casa de praia e têm uma outra numas imediações rurais de Paris onde costumam passar os fins-de-semana. E ao que parece é aí que um tal Toni lhes cuida do Jardim. Recordo-lhes que isso me faz lembrar uma frase do Jean-Marie Le Pen na qual dizia não ter nada contra portugueses...que inclusive tinha alguns a trabalhar no seu jardim. E a conversa continua divertida
Tinha conseguido uma reserva de última hora para 3 noites em Cannes. Dizem-me que não há tanto que ver para 3 dias. Respondo-lhes que quero descansar e tentar viver um pouco das cidades por onde passo. Vou à casa de banho. Quando regresso a Joëlle pergunta-me se não quero ficar com eles. Digo-lhes que não percebo nada de jardinagem. Riem-se e insistem. Asseguram-me que me mostram o que de mais importante houver para ver. Para desgosto da minha mãe tenho mais de sociável que educado; já liguei para Cannes a cancelar
terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Marselha - Por falar em Oriente
Não estou acostumado a grandes burburinhos quando digo que sou português, havia ali qualquer coisa a escapar-me... Três delas apontam imediatamente para a amiga e gritam em uníssono num misto de histeria e brincadeira:
- Her boyfriend is portuguese!!
Do Funchal especificou a sortuda. Estas quatro chinesas, que eu assumi japonesas ou sul-coreanas como a esmagadora maioria dos viajantes orientais que com que me cruzo, vivem em Londres. Expliquei-lhe que Lisboa consegue ser uma cidade muito familiar e que, no limite, se o seu namorado tivesse feito escala em Lisboa antes de aterrar em Londres, as probabilidades de nos termos conhecido um dia, quem sabe naquele bar da 24 de Julho onde nos tempos de faculdade devo ter bebido uma ou outra poncha (ou assegurado que aqueles que a beberam tinham alguém 100% cool que os levasse a casa) não eram tão remotas como ela poderia julgar. Antes de nos despedirmos ainda fui a tempo de não perder uma oportunidade única de me gabar que colaboro com uma revista chinesa e, claro está, de tirarmos uma fotografia comigo ali no meio. Uma das mais giras que tenho até agora por sinal
Do Funchal especificou a sortuda. Estas quatro chinesas, que eu assumi japonesas ou sul-coreanas como a esmagadora maioria dos viajantes orientais que com que me cruzo, vivem em Londres. Expliquei-lhe que Lisboa consegue ser uma cidade muito familiar e que, no limite, se o seu namorado tivesse feito escala em Lisboa antes de aterrar em Londres, as probabilidades de nos termos conhecido um dia, quem sabe naquele bar da 24 de Julho onde nos tempos de faculdade devo ter bebido uma ou outra poncha (ou assegurado que aqueles que a beberam tinham alguém 100% cool que os levasse a casa) não eram tão remotas como ela poderia julgar. Antes de nos despedirmos ainda fui a tempo de não perder uma oportunidade única de me gabar que colaboro com uma revista chinesa e, claro está, de tirarmos uma fotografia comigo ali no meio. Uma das mais giras que tenho até agora por sinal
domingo, 2 de Agosto de 2009
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Hendaye - Look colonial
- Entra uma pessoa em Coimbra e sai em Vitoria. E lá entra outra.
Resumindo, salvo alguma reserva de ultima hora, aquele compartimento com capacidade para 8 pessoas (pelos padrões de conforto da já certamente longínqua data de fabrico do Sud-Expresso) estava, à partida, a 1/4 da sua lotação.A Iara não devia ter mais que 17 anos e tudo o que disse com convicção foi que Coimbra era um monte de escadas e paredes. Perante tanta assertividade limitei-me a sorrir e pensar que o meu avô materno e todo o seu clã que estudou ou leccionou, viveu ou morreu em Coimbra dificilmente me perdoaria grandes cumplicidades com aquela miúda.
Resumindo, salvo alguma reserva de ultima hora, aquele compartimento com capacidade para 8 pessoas (pelos padrões de conforto da já certamente longínqua data de fabrico do Sud-Expresso) estava, à partida, a 1/4 da sua lotação.A Iara não devia ter mais que 17 anos e tudo o que disse com convicção foi que Coimbra era um monte de escadas e paredes. Perante tanta assertividade limitei-me a sorrir e pensar que o meu avô materno e todo o seu clã que estudou ou leccionou, viveu ou morreu em Coimbra dificilmente me perdoaria grandes cumplicidades com aquela miúda.
4h
- Adios Iara. Buenas vacaciones.
Antes de voltar a por a venda amaricada com que os meus amigos gozam mas que tantas horas de sono em viagem me assegura ainda vi entrar o Jean. Com um olho semi-cerrado e outro bem remeloso ainda consegui pensar "Este gajo parece saído do Africa Minha". Cumprimentei-o e voltei a dormir. Já a chegar Hendaye descobri que o Jean, entre copos e entrevistas a músicos, tinha estado a cobrir o Festival Internacional de Jazz da capital basca mas que a sua principal ocupacao era afinal, leccionar Linguística, Tradução e Estudos Afro-americanos na Sorbonne. Cinco minutos depois e já fazíamos pontos de situação da vida amorosa de cada um. A conversa ficou a meio mas durou o suficiente para ficar a saber coisas que sou capaz de jurar que nem alguns dos seus melhores amigos sabem. Ainda que a distância e o anonimato tenham sido motivos maiores que qualquer simpatia pela minha pessoa não consigo deixar de me sentir lisonjeado. O Jean regressa a sua Paris e eu sigo para a Côte d`Azur. Antes do abraço ficou a foto
Antes de voltar a por a venda amaricada com que os meus amigos gozam mas que tantas horas de sono em viagem me assegura ainda vi entrar o Jean. Com um olho semi-cerrado e outro bem remeloso ainda consegui pensar "Este gajo parece saído do Africa Minha". Cumprimentei-o e voltei a dormir. Já a chegar Hendaye descobri que o Jean, entre copos e entrevistas a músicos, tinha estado a cobrir o Festival Internacional de Jazz da capital basca mas que a sua principal ocupacao era afinal, leccionar Linguística, Tradução e Estudos Afro-americanos na Sorbonne. Cinco minutos depois e já fazíamos pontos de situação da vida amorosa de cada um. A conversa ficou a meio mas durou o suficiente para ficar a saber coisas que sou capaz de jurar que nem alguns dos seus melhores amigos sabem. Ainda que a distância e o anonimato tenham sido motivos maiores que qualquer simpatia pela minha pessoa não consigo deixar de me sentir lisonjeado. O Jean regressa a sua Paris e eu sigo para a Côte d`Azur. Antes do abraço ficou a foto
quinta-feira, 30 de Julho de 2009
De partida
Provavelmente já se terão dado conta que os últimos posts andam menos lusos que o habitual. Estou de partida e, à medida que a contagem decrescente para as minhas férias avança, vou ficando mais sensível a todos aqueles que pairam por Lisboa como eu anseio pairar por outros lugares. Aquilo que vai volta e, graças a isso, vou de certeza poder contar com a mesma ajuda que estas duas dinamarquesas estavam a precisar quando as encontrei. Achei que esta imagem plena de espontaneidade seria o melhor pincel possível para ilustrar o desejo que me leva a pôr uma mochila às costas e fazer uma reserva para o meu primeiro dia de férias. Há sempre o risco de me roubarem a máquina, perder os cartões de memória e mais um sem número de possibilidades azaradas mas, pela parte que me toca, com mais ou menos fotografias, encontramo-nos por aqui
quarta-feira, 29 de Julho de 2009
segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Flower power

Acerca do estado norte-americano do Utah acho que só me via capaz de manter duas conversas. Sobre a equipa da NBA dos anos 90 (e as assistências do John Stockton e os afundanços do Karl Malone em particular) e uma comunidade religiosa conservadora maioritária. Como ela percebia tanto de basquetebol quanto a imagem sugere ficámos-nos pela minha curiosidade religiosa. Ainda fui a tempo de cometer a prodigiosa bacorada de confundir Mórmones e Amishes mas depois de meia dúzia de desculpas atabalhoadas lá voltei à carga com a minha abelhudice ecuménica.
Acabei a descobrir, entre outras coisas, que é possível ser uma mórmon orgulhosa, irmã de um dos muitos Elders que andam pelo mundo inteiro em Missão (Portugal incluído), ter bebido o primeiro copo de vinho da sua vida na véspera desta fotografia ser tirada e, ser fã incondicional do Obama, pró-casamento gay e demonstrar uma curiosidade detalhada acerca do enquadramento legal das drogas leves no nosso país ("it says something about a country doesn't it?"). Sinceramente acho que não varria tantas ideias pré-concebidas desde aquela noite em que dei boleia a um casal de Iranianos entre o Bairro alto e o Lux.
No fundo...wasn't just about the flowers was it?
sexta-feira, 24 de Julho de 2009
sexta-feira, 17 de Julho de 2009
Aninhas

Há muito que andava desejoso por tirar “esta” fotografia. Só não tinha imaginado uma mãe tão nova e bonita. Mas não foi preciso nenhum piropo fácil para que a Aninhas sorrisse. Como não lhe foi preciso pedir que se agarrasse à barriga para que ela o fizesse. Caí redondo na felicidade autista de quem ficou em mãos com tão bonita publicação. Tão redondo que me esqueci de perguntar quem aí vinha e quanto tempo faltava para chegar
Se este blogue fosse todo ele sobre moda ficava-me pela forma como o colorido da fita, da saia, do top e das tranças giravam em torno dos seus olhos e do seu sorriso. Mas como é um bocadinho mais que isso confesso-vos o seguinte. Mostro algumas destas fotografias à minha irmã com a mesma excitação com que, antes de sair de casa para uma ocasião importante, costumava passar no quarto dela e lhe perguntava:
- Achas que vou bem?
A minha irmã reconheceu a Aninhas. Parece que lhe fez um dia a única trança de tecido que já teve no cabelo. E pela 1ª vez me respondeu:
- Vais bem Zé, vais muito bem.
Se este blogue fosse todo ele sobre moda ficava-me pela forma como o colorido da fita, da saia, do top e das tranças giravam em torno dos seus olhos e do seu sorriso. Mas como é um bocadinho mais que isso confesso-vos o seguinte. Mostro algumas destas fotografias à minha irmã com a mesma excitação com que, antes de sair de casa para uma ocasião importante, costumava passar no quarto dela e lhe perguntava:
- Achas que vou bem?
A minha irmã reconheceu a Aninhas. Parece que lhe fez um dia a única trança de tecido que já teve no cabelo. E pela 1ª vez me respondeu:
- Vais bem Zé, vais muito bem.
quarta-feira, 15 de Julho de 2009
E vão 100 posts – Rectângulos azuis-claros em fundo cinzento
Para mim, 6 meses de existência e 100 posts são motivos mais que suficientes para serem aqui assinalados. Isto tudo porque a minha vida mudou um pouco. Para quem passa os dias sentado num gabinete com luz natural suficiente para não ter que se queixar da vida, atende o telefone de forma estandardizada e age da maneira que lhe parece ser o melhor encontro de vontades, entre ele próprio e aquilo que dele espera a entidade que lhe retribui, este blogue representa um contraste forte. Abordar todas estas pessoas torna possível, viver momentos cujas convenções sociais em que a nossa vida se inscreve, dificilmente mo permitiriam. E depois, mais que meu, O Alfaiate Lisboeta… sou eu. E talvez por isso sinta tudo o que me escrevem na própria pele: cada crítica, elogio ou simples advertência tocam-me como se falassem de mim, do meu cabelo, da minha rectidão ou falta dela.
Parece-me justo esboçar aqui meia dúzia de agradecimentos e convém por isso admitir que dá realmente (ainda) mais gozo escrever para 1000 ou 2000 que fazê-lo para 100 ou 200 e saber que “gosto das tuas fotografias e dos teus textos” é a expressão que resume, da forma mais fiel, o universo dos feedbacks que vou recebendo via comentários, Facebook ou e-mail. Mas antes de mais, dois agradecimentos fraternos. Um ao Mário Fazendas, pelas suas brilhantes traduções, pelas quais provavelmente muitos de vós não terão chegado a dar conta, mas que, como poderão comprovar mais à frente, me trouxeram largas alegrias. Se passarem pelo The Lisbon Tailor, o critério é simples. As traduções que vos impressionarem são do Mário, aquelas que tiverem em média, meia dúzia de gralhas por publicação, são feitas em regime de consórcio entre mim e o tradutor do Google. Ao meu outro amigo, o Rui Quinta, entre muitas outras coisas, obrigado pelos cartões de visita mais bonitos que já alguma vez vi (de fazer suar o Christian Bale em American Psycho), que tornam possível que aqueles que abordo na rua, não achem que é um qualquer tarado que lhes pergunta afavelmente se não gostariam de fazer parte do seu blogue.
Queria agradecer também à Time Out, à TVI 24, à SIC Mulher, ao This is Our Thing, à Sancha Trindade e ao seu espaço no Meia Hora e à Time Out de novo (a mão que nos dão pela 1ª vez é sempre aquela que mais dificilmente esqueceremos) por, de formas distintas e através dos seus diferentes recursos, terem demonstrado genuíno interesse e contribuído para a divulgação do Alfaiate. Não esquecendo também todos aqueles que nos seus blogues, foram criando links e publicando posts sobre O Alfaiate Lisboeta. Agradeço também ao Fashion Real Street Star e à Shopping & Shopper por me terem dado a descobrir que “aldeia global” não é apenas um mero conceito teórico. Dou especial ênfase, às 3 páginas mensais que a Shopping & Shopper (publicação bilingue, baseada em Pequim) pretende guardar para o meu trabalho, naquela que foi, até agora, a proposta mais marcante a ser-me apresentada. Mas mais importante ainda, gostava de agradecer àqueles que me visitam regularmente, em particular aos que vão deixando o que sentem; e mais que tudo e todos que já referi, a quem aqui aparece, porque sem eles…sem eles não existiria Alfaiate.
Parece-me justo esboçar aqui meia dúzia de agradecimentos e convém por isso admitir que dá realmente (ainda) mais gozo escrever para 1000 ou 2000 que fazê-lo para 100 ou 200 e saber que “gosto das tuas fotografias e dos teus textos” é a expressão que resume, da forma mais fiel, o universo dos feedbacks que vou recebendo via comentários, Facebook ou e-mail. Mas antes de mais, dois agradecimentos fraternos. Um ao Mário Fazendas, pelas suas brilhantes traduções, pelas quais provavelmente muitos de vós não terão chegado a dar conta, mas que, como poderão comprovar mais à frente, me trouxeram largas alegrias. Se passarem pelo The Lisbon Tailor, o critério é simples. As traduções que vos impressionarem são do Mário, aquelas que tiverem em média, meia dúzia de gralhas por publicação, são feitas em regime de consórcio entre mim e o tradutor do Google. Ao meu outro amigo, o Rui Quinta, entre muitas outras coisas, obrigado pelos cartões de visita mais bonitos que já alguma vez vi (de fazer suar o Christian Bale em American Psycho), que tornam possível que aqueles que abordo na rua, não achem que é um qualquer tarado que lhes pergunta afavelmente se não gostariam de fazer parte do seu blogue.
Queria agradecer também à Time Out, à TVI 24, à SIC Mulher, ao This is Our Thing, à Sancha Trindade e ao seu espaço no Meia Hora e à Time Out de novo (a mão que nos dão pela 1ª vez é sempre aquela que mais dificilmente esqueceremos) por, de formas distintas e através dos seus diferentes recursos, terem demonstrado genuíno interesse e contribuído para a divulgação do Alfaiate. Não esquecendo também todos aqueles que nos seus blogues, foram criando links e publicando posts sobre O Alfaiate Lisboeta. Agradeço também ao Fashion Real Street Star e à Shopping & Shopper por me terem dado a descobrir que “aldeia global” não é apenas um mero conceito teórico. Dou especial ênfase, às 3 páginas mensais que a Shopping & Shopper (publicação bilingue, baseada em Pequim) pretende guardar para o meu trabalho, naquela que foi, até agora, a proposta mais marcante a ser-me apresentada. Mas mais importante ainda, gostava de agradecer àqueles que me visitam regularmente, em particular aos que vão deixando o que sentem; e mais que tudo e todos que já referi, a quem aqui aparece, porque sem eles…sem eles não existiria Alfaiate.
Restar-me-ia agora, em condições normais, dedicar algumas palavras à imagem do dia. Mas hoje excepcionalmente, o blogue é mais importante que o seu convidado. Só me ocorre dizer que algum dia, o autor de tudo isto teria que parar no mesmo lugar onde convida a entrar, aqueles que com ele se cruzam. Os créditos fotográficos ficam com o João Vieira.
segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Duas faces duma mesma elegância
sexta-feira, 10 de Julho de 2009
La Chemise Lacoste – O legado de meu Pai
Acho que o meu Pai esteve mais presente na minha infância do que a maioria dos pais consegue estar. Ainda hoje…comigo quase a roçar os 30, continua a ser a pessoa com quem mais horas passeei de mão dada, com quem mais vezes fui ao cinema e, provavelmente, com quem mais tempo fiquei parado a olhar para uma montra da Lacoste. Cresci a ver o meu Pai usar e abusar daquele Crocodilo e ainda me lembro do dia em que ali mesmo na Baixa, em plena Rua de São Nicolau, fomos comprar o meu 1º Pólo.
“You never really own a Patek Phillippe, you merely take care of it for the next generation.” Este é provavelmente o mais bonito slogan publicitário que conheço. Verdade que aquilo que poderá valer para um relógio de luxo dificilmente se aplicará a uma peça de roupa. Mas no meu grupo de amigos, não sou o único a ter tido o privilégio de usar um Pólo Lacoste que tivesse pertencido um dia, a seu Pai ou sua mãe; e não sou capaz de me lembrar doutra peça de algodão, que vá a lavar 20 vezes por cada Verão e consiga aguentar o mesmo ritmo por mais 30 anos. Mas vou mais longe, um pouco mais longe… Desde a minha adolescência que perdi a fixação pelas marcas e, acima de tudo, pela exibição dos seus elementos mais distintivos. Mas houve um desses elementos que resistiu sempre à minha maturação – o Crocodilo. Nunca contei isto a ninguém mas tenho umas calças de pinças em bombazina com o Crocodilo bordado abaixo do cós, e quando as uso certifico-me sempre, tantas quantas as vezes que passar junto a um espelho, que o pull-over que tenho vestido não oculta o meu querido Crocodilo. Não o faço por qualquer estatuto… (aliás quanto a presumíveis estatutos…o dito Crocodilo tanto pode ser visto numa esplanada de Saint-Tropez, como na mais problemática periferia de Paris); faço-o por um certo je ne sais quoi que não encontro em mim sem ele (não é este o core business do Marketing? conceber produtos munidos de atributos, acerca dos quais, o consumidor se sinta simultaneamente, desprovido e identificado?). Por algum motivo a Lacoste é a marca mais contrafaccionada em todo o mundo. Por algum motivo usei aquelas calças no primeiro jantar do meu namoro.
Ainda me lembro da satisfação de carregar o saco – “não Pai, eu levo!” – com o dito Pólo branco, já a imaginar a parelha do dia seguinte. Só agora começo a ter idade suficiente para perceber que os primeiros anos de vida são mais importantes que quaisquer outros. E só agora, já com um início visível de falta de cabelo e parte do que dele resta em tons esbranquiçados, retorno aos tempos em que a figura paterna é o nosso herói e percebo que, quer queiramos quer não, para o bem e para o mal, aquela história da socialização primária (mais redefinição de conceito, menos redefinição de conceito) é mesmo assim – marca-nos para sempre. Ainda no outro dia um amigo me dizia que uma das coisas que o teria induzido a seguir Artes tinha sido o impressionante jeito da mãe para desenhar. Não lho disse mas reparei, que nunca o tinha ouvido falar do seu legado materno com tanto orgulho. Eu e o Rui temos a mesma idade, estudámos no mesmo liceu e disputámos juntos a mesma atenção da mesma professora mais gira (do mesmo liceu)…não me intriga também que agora olhemos por cima do ombro de forma idêntica. Por tudo isto e algo mais não é de admirar que, muito antes de um filho meu vestir aquele Pólo encarnado que ali vêem em cima, sua mãe, em plena gravidez, me faça o favor de vestir um daqueles lindos vestidos piquet, quase tão intemporais quanto o famoso Pólo 1212. Fetiche? Talvez. Legado paterno? Sem dúvida. Crédito do Marketing? Não bolas…é Lacoste
“You never really own a Patek Phillippe, you merely take care of it for the next generation.” Este é provavelmente o mais bonito slogan publicitário que conheço. Verdade que aquilo que poderá valer para um relógio de luxo dificilmente se aplicará a uma peça de roupa. Mas no meu grupo de amigos, não sou o único a ter tido o privilégio de usar um Pólo Lacoste que tivesse pertencido um dia, a seu Pai ou sua mãe; e não sou capaz de me lembrar doutra peça de algodão, que vá a lavar 20 vezes por cada Verão e consiga aguentar o mesmo ritmo por mais 30 anos. Mas vou mais longe, um pouco mais longe… Desde a minha adolescência que perdi a fixação pelas marcas e, acima de tudo, pela exibição dos seus elementos mais distintivos. Mas houve um desses elementos que resistiu sempre à minha maturação – o Crocodilo. Nunca contei isto a ninguém mas tenho umas calças de pinças em bombazina com o Crocodilo bordado abaixo do cós, e quando as uso certifico-me sempre, tantas quantas as vezes que passar junto a um espelho, que o pull-over que tenho vestido não oculta o meu querido Crocodilo. Não o faço por qualquer estatuto… (aliás quanto a presumíveis estatutos…o dito Crocodilo tanto pode ser visto numa esplanada de Saint-Tropez, como na mais problemática periferia de Paris); faço-o por um certo je ne sais quoi que não encontro em mim sem ele (não é este o core business do Marketing? conceber produtos munidos de atributos, acerca dos quais, o consumidor se sinta simultaneamente, desprovido e identificado?). Por algum motivo a Lacoste é a marca mais contrafaccionada em todo o mundo. Por algum motivo usei aquelas calças no primeiro jantar do meu namoro.
Ainda me lembro da satisfação de carregar o saco – “não Pai, eu levo!” – com o dito Pólo branco, já a imaginar a parelha do dia seguinte. Só agora começo a ter idade suficiente para perceber que os primeiros anos de vida são mais importantes que quaisquer outros. E só agora, já com um início visível de falta de cabelo e parte do que dele resta em tons esbranquiçados, retorno aos tempos em que a figura paterna é o nosso herói e percebo que, quer queiramos quer não, para o bem e para o mal, aquela história da socialização primária (mais redefinição de conceito, menos redefinição de conceito) é mesmo assim – marca-nos para sempre. Ainda no outro dia um amigo me dizia que uma das coisas que o teria induzido a seguir Artes tinha sido o impressionante jeito da mãe para desenhar. Não lho disse mas reparei, que nunca o tinha ouvido falar do seu legado materno com tanto orgulho. Eu e o Rui temos a mesma idade, estudámos no mesmo liceu e disputámos juntos a mesma atenção da mesma professora mais gira (do mesmo liceu)…não me intriga também que agora olhemos por cima do ombro de forma idêntica. Por tudo isto e algo mais não é de admirar que, muito antes de um filho meu vestir aquele Pólo encarnado que ali vêem em cima, sua mãe, em plena gravidez, me faça o favor de vestir um daqueles lindos vestidos piquet, quase tão intemporais quanto o famoso Pólo 1212. Fetiche? Talvez. Legado paterno? Sem dúvida. Crédito do Marketing? Não bolas…é Lacoste
quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Olho de perdiz – Palácio de Queluz

O olho de perdiz é um tecido de lã cujo padrão causa um efeito geométrico semelhante à repetição de um olho daquela ave. Muito comum em cinzento ou azul é, na pior das circunstâncias, uma das melhores hipótese para quem, depois de 2 ou 3 fatos lisos de cores diferentes, gostaria de comprar um outro diverso dos demais, mas não se sinta confortável (ou simplesmente não goste) de fatos listados ou com quadrados.
Quando, há pouco mais de 2 meses, escrevia que o fato cinzento seria possivelmente a minha 2ª peça (depois do azul escuro e antes do 1º recurso aos quadrados) evocava precisamente um fato olho de perdiz cinzento claro. Numa lã fresca de preferência, aproveitando o quase constante clima primaveril Lisboeta. Porque para o Verão, não me venham com tretas, seja da mais leve lã pura ou caxemira, algodão fresco, seda ou linho... No Verão, bom mesmo é sem casaco. E se me permitem, para quem pode (que não é o meu caso), sem meias também... (mas acerca de convenções cheias de sentido ou mais que ultrapassadas, de simples preconceitos ou supostas demonstrações institucionalizadas de mau senso como dispensa de meias ou gravata, utilização de camisolas de alças debaixo de um sol de 30º ou calções na noite algarvia, teremos certamente muitas oportunidades para falar...)
segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Harlem 1981, Restauradores 2009

Ontem, umas boas horas antes de encontrar o Edson nos Restauradores, tinha estado a arrumar as caixas e as gavetas que compõem a habitual desarrumação do meu quarto. Encontrei uma mala a abarrotar de VHSs com filmes e algumas séries. Lá no meio havia uma cassete etiquetada com a Balada de Hill Street. A música do genérico subiu-me imediatamente à cabeça e saí disparado para a arrecadação a ver se resgatava o velho vídeo.
Não sei se noutro dia teria parado para abordar o Edson. Ontem nem hesitei. Os revivalismos mexem comigo, o Edson levou-me de volta.
sexta-feira, 3 de Julho de 2009
quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Michel

Quantos tipos apreciados pelo seu sapateado conhecem vocês? Não, o Fred Astaire e o Gene Kelly não contam, referia-me a gente viva (com todo o respeito pela outra). Pois…só me ocorre um nome – Michel. Fui pesquisar e descobri que este francês tem um Curriculum Vitae de fazer inveja à Madonna, anda por Portugal há tanto tempo quanto eu (e já lá vão uns anos desde a última vez que beneficiei dum desconto do Cartão Jovem) e toca acordeão quase tão bem quanto “sapateia”. Mas não foi bem descobrir, mais relembrar… o Michel é como o vídeo do The Neverending Story ou o dos Da Vinci, a mão do Maradona ou a do Vata – un souvenir d'enfance. Mas para ele aparecer aqui tudo isto pouco ou nada contou. Valeu-lhe apenas o visual sóbrio…e o amigo. Afinal de contas, eu não o reconheci... (as reminiscências são como rasgos de génio da nossa própria memoria, só se nos despertam quando voltamos costas)
terça-feira, 30 de Junho de 2009
Rua Augusta - casaco e chapéu de mãos dadas

Casaco branco não é coisa que muitos homens portugueses se sintam confortáveis em vestir. Chapéu branco não é coisa que muitos homens portugueses se sintam confortáveis em usar. Mas ainda há alguns para quem não parece ser problema usar tanto um como outro. E de preferência… em simultâneo. Ainda ontem conheci um desses homens – o Sr. Alcídio de Carvalho.
sexta-feira, 26 de Junho de 2009
A moda e o mundo rural (Várzea de Santarém)


- Ah e tal...tenho um monte no Alentejo.
Quando entrei na faculdade eram frases como esta que mais sofisticação delegavam no mundo rural. Em pleno confronto directo para ver quem mais doses de charme lançava sobre uma mesma miúda lá me ia safando com um “Sei de um monte giro, não muito caro. [No meu Fiat (com leitor de K7) sem ar condicionado mas com os dois vidros bem abertos] estamos lá em pouco mais de duas horas”.
Os tempos são outros (o carro e o rádio não), o mundo rural é agora visto de uma forma cool, sofisticada. Voltámos a valorizar o conceito de “tradicional”, enaltecemos uma catrefada de vezes que isto ou aquilo é feito à mão, plantamos hortas no meio da cidade (e os nosso amigos acham o máximo), preferimos comida natural a corantes e conservantes e estamos dispostos a pagar (e às vezes muito) para que famílias de agricultores partilhem connosco o seu modo de vida. O conceito de Pousada compete, ombro a ombro, com hotéis de porteiros de fraque e cartola, eu já ganho vergonha na cara quando não consigo reconhecer a planta que o meu avô tem no seu alpendre (e ele pergunta sempre, meio gozão, “com que então julgavas que a batata vinha do pacote, não era?”), percebemos que não conhecer o Vale do Douro deverá ser motivo de maior embaraço que nunca ter passado férias na Praia da Rocha e, de repente, queremos lá nós saber que a água de Sagres seja gelada e achamos de longe maior encanto às praias vicentinas que àquelas que ligam Vilamoura a Albufeira.
A moda não é autista e se toda a gente lhe diz que “O mundo rural é que esta a dar” ela debruça-se sobre ele. Confesso que não estava bem certo disso e que ainda vivia um bocado na ideia (e no preconceito) de que as colecções eram quase todas baseadas em astronautas ou no que quer que pudesse haver de concepções futuristas. Mas uma colega minha do 5º ano (hoje, distinta Designer de Moda em Estocolmo) explicou-me, via e-mail, o quão enganado estava (obrigado F.). E realmente…penso nos bonés, nas boinas e nos chapéus (se na cidade metade do que se põe na cabeça se usa por estilo, no campo, faz-se por zelo), nos xailes e écharpes, nos ensebados e nas samarras, nos lenços na cabeça e na lapela ou nas pequenas fortunas que gastamos em botifarras que lembram o calçado de quem lavra a terra…
Quando entrei na faculdade eram frases como esta que mais sofisticação delegavam no mundo rural. Em pleno confronto directo para ver quem mais doses de charme lançava sobre uma mesma miúda lá me ia safando com um “Sei de um monte giro, não muito caro. [No meu Fiat (com leitor de K7) sem ar condicionado mas com os dois vidros bem abertos] estamos lá em pouco mais de duas horas”.
Os tempos são outros (o carro e o rádio não), o mundo rural é agora visto de uma forma cool, sofisticada. Voltámos a valorizar o conceito de “tradicional”, enaltecemos uma catrefada de vezes que isto ou aquilo é feito à mão, plantamos hortas no meio da cidade (e os nosso amigos acham o máximo), preferimos comida natural a corantes e conservantes e estamos dispostos a pagar (e às vezes muito) para que famílias de agricultores partilhem connosco o seu modo de vida. O conceito de Pousada compete, ombro a ombro, com hotéis de porteiros de fraque e cartola, eu já ganho vergonha na cara quando não consigo reconhecer a planta que o meu avô tem no seu alpendre (e ele pergunta sempre, meio gozão, “com que então julgavas que a batata vinha do pacote, não era?”), percebemos que não conhecer o Vale do Douro deverá ser motivo de maior embaraço que nunca ter passado férias na Praia da Rocha e, de repente, queremos lá nós saber que a água de Sagres seja gelada e achamos de longe maior encanto às praias vicentinas que àquelas que ligam Vilamoura a Albufeira.
A moda não é autista e se toda a gente lhe diz que “O mundo rural é que esta a dar” ela debruça-se sobre ele. Confesso que não estava bem certo disso e que ainda vivia um bocado na ideia (e no preconceito) de que as colecções eram quase todas baseadas em astronautas ou no que quer que pudesse haver de concepções futuristas. Mas uma colega minha do 5º ano (hoje, distinta Designer de Moda em Estocolmo) explicou-me, via e-mail, o quão enganado estava (obrigado F.). E realmente…penso nos bonés, nas boinas e nos chapéus (se na cidade metade do que se põe na cabeça se usa por estilo, no campo, faz-se por zelo), nos xailes e écharpes, nos ensebados e nas samarras, nos lenços na cabeça e na lapela ou nas pequenas fortunas que gastamos em botifarras que lembram o calçado de quem lavra a terra…
Estaria a dar-vos uma grandessíssima tanga se dissesse que tudo isto me ocorreu quando, naquele fim de tarde abafado, acabado de sair da bonita Igreja onde se casou a Filipa e o João, avistei este senhor com as suas ovelhas – queria escrever o seu nome completo, tal qual mo disse a mim, mas não encontro o papel onde anotei nome e morada e sempre me ensinaram que, não devo trata alguém que não conheço bem, apenas pelo seu nome próprio. Pensei apenas que não era todos os dias que tinha a oportunidade de fotografar um homem com o seu rebanho. Parei o carro e fui-lhe falar. Achei que recriava na perfeição a personagem colectiva que tinha em mente. Agora, resta-me reencontrar a sua morada e cumprir com o prometido – enviar-lhe a fotografia que tenho aqui ao meu lado (ou se preferirem... "à minha beira")
quarta-feira, 24 de Junho de 2009
terça-feira, 23 de Junho de 2009
Quem disse que riscas não dão com riscas?
[o post inicial não "trazia" texto mas perante algumas questões que surgiram nos comentários (contente por a imagem ter gerado feedback) decidi escrever]
As gravatas de malha, não sendo as mais comuns, não são propriamente espécimes raros. Para cores, padrões, formatos e preços diferentes podem encontrá-las, entre outros, no Nunes Corrêa, na Cravatta House ou na Labrador. Mas as minhas preferidas são escolhidas na Lourenço & Santos, 50 metros abaixo do antigo Cinema Condes (actual Hard Rock Café). E concordo com o que alguém escreveu; estas gravatas, à semelhança dos casacos de malha, transportam-me para uma imagem dum afável patriarca de família. Mas isso não me impede de usar e abusar delas. Ou não vos falei ainda na minha queda por contrastes?
As gravatas de malha, não sendo as mais comuns, não são propriamente espécimes raros. Para cores, padrões, formatos e preços diferentes podem encontrá-las, entre outros, no Nunes Corrêa, na Cravatta House ou na Labrador. Mas as minhas preferidas são escolhidas na Lourenço & Santos, 50 metros abaixo do antigo Cinema Condes (actual Hard Rock Café). E concordo com o que alguém escreveu; estas gravatas, à semelhança dos casacos de malha, transportam-me para uma imagem dum afável patriarca de família. Mas isso não me impede de usar e abusar delas. Ou não vos falei ainda na minha queda por contrastes?
domingo, 21 de Junho de 2009
Ericeira - Senhor Nicolau da Praia da Baleia

Depois de ter tirado a fotografia cheguei à conclusão que tínhamos todos reparado no Sr. Nicolau mal chegámos à praia. Um misto de Hemingway e do homem latino que faz as delícias das mulheres do Norte da Europa que escolhem Portugal para gozar uns dias de praia e diversão. “É o homem mais conhecido da Ericeira” gritou-me o Nadador Salvador sénior com orgulho vincado de amigo enquanto fechava a sua barraca. De que adianta falar no intemporal pólo Lacoste (que trazia vestido) quando se está perante uma figura assim?
sexta-feira, 19 de Junho de 2009
quarta-feira, 17 de Junho de 2009
terça-feira, 16 de Junho de 2009
domingo, 14 de Junho de 2009
Equilíbrio de contrastes

Sempre achei que um bom equilíbrio de contrastes era meio caminho andado para um cenário bonito. Lembro-me do Francisco, um mulato enorme lá da rua que vestia sempre uns impecáveis fatos de linho claro, do punk de olhos azuis e faces rosadas com que me costumava cruzar no metro da Cidade Universitária, de uma qualquer peça clara por cima de uma pele bronzeada ou da mania de usar a camisa mais clássica e o pull-over mais cagão com as minhas calças mais largas. As tatuagens, goste-se mais ou menos, são uma imagem forte, e nos homens, quase sempre agressiva. Os óculos graduados, por mais esforços de Design ou ginástica de Marketing, dificilmente perderão a sua conotação de serenidade, sabedoria ou trabalho. Os dois juntos são o Alexandre. Aqui, o pólo da Fred Perry – que per si já valia um post – é apenas um bónus. Tudo o resto é Alex
quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Moda e motociclos
Tive de correr, fazer fé que as limitações de trânsito da baixa jogassem a meu favor e tirar partido da cor do semáforo para conseguir tirar esta fotografia. Voltei costas a pensar “já é a segunda fotografia que tiro a uma mota e do Alfaiate, espera-se antes que tudo o mais, que seja um blogue de moda ou que nela se inspire para falar do tal tudo o mais”. Fiquei a remoer no quão giro era a mota e nos aparentemente bem sucedidos posts em que não me cingi à pura análise estética dos trajes daqueles que se deixaram fotografar. Virei na Rua Augusta e entrei no MUDE (Museu de Design e Moda) e a primeira coisa que vi exposta, antes ainda de um conjunto de saia e casaco Christian Dior, foi uma Vespa 125. Aí pensei vaidoso:
- Para funcionário bancário não estás nada mal.
p.s. - gostou da scooter? carregue aqui para saber mais
segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Elegância paulista

Há duas razões essenciais para que não publique um post todos os dias. A primeira tem que ver com constrangimentos pessoais, a outra é o simples facto de as pessoas terem o (bom) hábito de andar acompanhadas. Interromper qualquer diálogo para sugerir “ia precisar do vosso amigo(a) durante 30 segundos” parecer-me-á sempre um pouco indelicado para com o outro(s) interlocutor(es) e dificilmente não me evocará a tarefa mais ingrata daqueles cujo trabalho passa por estar à porta dos estabelecimentos nocturnos a definir quem entra e quem vai para casa. Divagações à parte... O marido desta senhora era bem parecido e charmoso demais para se deixar incomodar por um puto que, antes de se dirigir a ela mesma, lhe perguntou se podia fotografar a mulher dele. Enfim...deixemo-nos de tretas, a decisão caberia sempre a esta paulista mas todos sabemos que quando calha a quem mais gostamos somos sempre um pouco mais susceptíveis do que seríamos noutra circunstância qualquer. De resto, o seu marido tinha tanto em porte quanto em simpatia. Fotografar assim dá gozo
sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Carta ao Manel (fardas e identidades)
Caro Manel,
Há quem tenha a capacidade de intimidar os outros pela sua presença, quem tenha a faculdade de fazer passar o trânsito pelo seu andar e há quem tenha a virtude de não se deixar mitigar por aquilo que veste. Quando estamos fardados perdemos sempre um pouco de nós em favor do pedaço de roupa que vestimos. Senti-me sempre um pouco menos Zé quando tive de o fazer. Imaginarás facilmente que para um gajo que se lembra de fazer um blogue sobre trapos, vestir os trapos que não escolheu lhe causará particular comichão. Mas tu Manel, tu disseste-me apenas “pode tirar uma fotografia sim, estou apenas a fazer o meu trabalho”. Pois estavas Manel. E quem olhava para ti percebia que quem te visse em traje de gala no Coliseu, ou de calções de banho na Costa, te veria sempre a ti. Já eu pareço experimentar uma multiplicidade de (alter) egos enquanto alterno entre o casaco e gravata de 2ª a 6ª e o boné e as alças de fim-de-semana. “pode tirar uma fotografia sim, estou apenas a fazer o meu trabalho”. Pois estás Manel, peço-te apenas que dês 10 minutos de tolerância a esse carro e que me perdoes tirar-te o “u” que o teu nome apresenta no B.I. Asseguro-te que o faço com a mesma simplicidade a quem (por vezes) custa não se apresentar como Zé no seu horário de expediente. E agora tenho que ir. Às 9h já tenho que ser José.
Um abraço
Zé
Há quem tenha a capacidade de intimidar os outros pela sua presença, quem tenha a faculdade de fazer passar o trânsito pelo seu andar e há quem tenha a virtude de não se deixar mitigar por aquilo que veste. Quando estamos fardados perdemos sempre um pouco de nós em favor do pedaço de roupa que vestimos. Senti-me sempre um pouco menos Zé quando tive de o fazer. Imaginarás facilmente que para um gajo que se lembra de fazer um blogue sobre trapos, vestir os trapos que não escolheu lhe causará particular comichão. Mas tu Manel, tu disseste-me apenas “pode tirar uma fotografia sim, estou apenas a fazer o meu trabalho”. Pois estavas Manel. E quem olhava para ti percebia que quem te visse em traje de gala no Coliseu, ou de calções de banho na Costa, te veria sempre a ti. Já eu pareço experimentar uma multiplicidade de (alter) egos enquanto alterno entre o casaco e gravata de 2ª a 6ª e o boné e as alças de fim-de-semana. “pode tirar uma fotografia sim, estou apenas a fazer o meu trabalho”. Pois estás Manel, peço-te apenas que dês 10 minutos de tolerância a esse carro e que me perdoes tirar-te o “u” que o teu nome apresenta no B.I. Asseguro-te que o faço com a mesma simplicidade a quem (por vezes) custa não se apresentar como Zé no seu horário de expediente. E agora tenho que ir. Às 9h já tenho que ser José.
Um abraço
Zé
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
A beleza da (m)paternidade
A minha última recordação do Ricardo tinha já uns 13 ou 14 anos…estávamos os dois de calças elásticas em torno duma roda de Capoeira. Eu, no clímax da minha (pré) adolescência e o Ricardo, desconfio, nos primeiros anos da sua maioridade.
Os tempos são outros. O Ricardo pareceu-me mais bonito, bem disposto e feliz. A culpa só pode ser da Graça, do Jorge e da Rosa e dos seus lindos chapéus brancos. Quando iniciei o Alfaiate nunca me passou pela cabeça conseguir captar uma imagem assim. A sua beleza consegue deixar na vulgaridade o retrato de uma mulher linda num vestido de gala decotado. De resto, não me ocorre acessório mais sexy que aqueles adornos marsupiais.
Nota: Gente interessante gera projectos interessantes. Este casal abriu recentemente uma loja. Eu gostei e (bem mais importante que isso) a Time Out e a Ana Garcia Martins também. Aos números 26-28 da Calçada do Carmo…Lisboa ao Carmo
Os tempos são outros. O Ricardo pareceu-me mais bonito, bem disposto e feliz. A culpa só pode ser da Graça, do Jorge e da Rosa e dos seus lindos chapéus brancos. Quando iniciei o Alfaiate nunca me passou pela cabeça conseguir captar uma imagem assim. A sua beleza consegue deixar na vulgaridade o retrato de uma mulher linda num vestido de gala decotado. De resto, não me ocorre acessório mais sexy que aqueles adornos marsupiais.
Nota: Gente interessante gera projectos interessantes. Este casal abriu recentemente uma loja. Eu gostei e (bem mais importante que isso) a Time Out e a Ana Garcia Martins também. Aos números 26-28 da Calçada do Carmo…Lisboa ao Carmo
terça-feira, 2 de Junho de 2009
Maria - calções e botins
domingo, 31 de Maio de 2009
O meu primeiro turbante

Se me perguntarem por um destino exótico o primeiro país que me ocorre é a Índia. Além disso tenho uma concepção hiper-romântica da mulher indiana e quando penso na sua versão masculina ocorre-me sempre aquela cena do Paciente Inglês em que a (personagem interpretada pela) Juliete Binoche se fica a babar ao ver o Naveen Andrews (Tenente Kip Singh) lavar o cabelo depois de o vermos tirar cuidadosamente o seu turbante.
Algumas das fotografias que aqui aparecem são conceitos que havia desenhado mentalmente e que aguardavam apenas a oportunidade certa para a sua concretização. O turbante era precisamente um deles. Reconheço que foi “ele” que me tinha levado de passagem pelo Martim Moniz e aproveito também para vos confessar que a última fotografia foi uma espécie de achado no meio de uma sequência que não era mais que um teste à luminosidade daquela praça. Mas o Martim Moniz e a ideia que dele têm os Lisboetas transporta-me para os aplausos com que brindamos Londres, Nova Iorque e todas essas metrópoles que servem de paradigmas aos “melting pots” e às “multiracial societies”. A verdade é que parecemos apreciar mais esses conceitos sociológicos quando se reproduzem a alguns milhares de quilómetros de distância das nossas casas. Não façam caso do plural, não é mais que uma forma (um tanto ou quanto) cobarde de tornar menos pesado o fardo deste meu acto de contrição – vês Mãe…perdi a fé em Deus, mas não na sua palavra.
E lembrei-me de tudo isto no momento em que voltei as costas a Balbir Singh. Só não sonhava que o seu apelido fosse o mesmo da personagem cinematográfica responsável pela minha visão charmosa do homem de origem indiana.
sexta-feira, 29 de Maio de 2009
quarta-feira, 27 de Maio de 2009
terça-feira, 26 de Maio de 2009
Lisboa tropical
Não me estou a lembrar de outra capital europeia onde os mergulhos no mar e a História se possam conjugar tão bem quanto em Lisboa. Imagino por exemplo, que para aqueles que vivem ali algures entre o canal da Mancha e o Mar do Norte, a ideia de poder ir à praia em pleno Março ou Outubro lhes possa parecer simplesmente….tropical. O senso luso diz-nos que os apreciadores destas camisas as guardariam religiosamente para uma festa na praia ou umas férias no Pacífico mas vão lá dizer isso a quem apenas tem 1500 horas de sol por ano
domingo, 24 de Maio de 2009
Estação do Rossio - Bohemian vintage

Tinha lido algures sobre uma exposição do Titanic em Lisboa. A ideia não me tinha ficado a matutar mas quando passei em frente à estação do Rossio achei que o dito naufrágio que tanto me encantava em miúdo era um bom pretexto para matar saudades da velha (renovada) estação. Pena que o preçário da bilheteira não se enquadrasse bem no meu conceito de fazer tempo enquanto a minha companhia para almoçar não chegava. Voltei costas ao naufrágio e dei de caras com o Gonçalo. O resto da história já vocês sabem…
sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Tertúlia sobre estilo
Estes senhores pareciam coordenar uma qualquer produção de moda mesmo ali na Alexandre Herculano. Por algum motivo que não sei explicar pareceram-me um conceito mais interessante de explorar que a modelo que dava o rosto à campanha. Ela devia ter menos 7 anos e mais 2 centímetros que eu mas mesmo assim…
quarta-feira, 20 de Maio de 2009
terça-feira, 19 de Maio de 2009
domingo, 17 de Maio de 2009
sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Quadrados e coincidências

Percebi há já uns meses, enquanto folheava um editorial de moda da Men’sHealth, que os quadrados estavam de volta. Pela produção que ali era apresentada dei-me conta que com eles vinha atracado o visual meio descuidado de um lenhador, o olhar semi-cerrado à Bruce Willis e umas botifarras daquelas que tanto jeito me dão para conseguir olhar a minha namorada de cima. Lembrei-me do 1º concerto dos Pearl Jam em Portugal no Dramático de Cascais, em Novembro de 96, da camisa que devo ter levado, e dei por mim a pensar que sou menos imune a tendências do que às vezes gosto de pensar. De quadrados estamos conversados.
Tenho uma certa simpatia por coincidências. Não me deixam a pensar na ordem natural das coisas nem na boa ou má energia que circula pelo Universo mas acho-lhes graça. Estes dois tipos são alemães. Num espaço de 5 dias encontrei-os em plena Rua Augusta e na Fundição de Oeiras. Ok, são alemães, designers, vieram ao OFFF e lá se vai por terra uma história engraçada para contar ao jantar. Mas gostei deles, da sua receptividade à ideia, à fotografia e ao diálogo fácil. Este blogue, (tanto ou) mais que um blogue de moda ou de fotografias, é um blogue de pessoas. Não fossem elas e não teria durado mais que duas semanas.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
E o Terreiro do Paço parou..

Ouvi uma buzina. Os automobilistas não têm por hábito vibrar com as minhas travessias nas passadeiras mas voltei-me por instinto. Ali estavam especados os mesmos dois agentes a quem tinham escapado, numa linha recta que distava entre 5 a 10 metros do seu nariz, duas propostas irrecusáveis para adquirir cocaína (dali ao Rossio a regra parece manter-se; desde que não tentem oferecer “coca” aos senhores que lá estão fardados, vai tudo correr pelo melhor). A forma como se acotovelavam evocou-me a memória de quando, em plena pré-adolescência, víamos a Mariana Cardoso do 7ºB passar à nossa frente. Agarrei a máquina com força e disparei. Uns podem gostar mais, outros menos...mas que o Terreiro do Paço parou (ainda mais), ai isso parou
terça-feira, 12 de Maio de 2009
Encore

"Não sei como conseguiste não o fotografar outra vez" disse a minha namorada quando, um dia a subir a avenida, o encontrámos a passear o cão. É mais ou menos essa a sensação que tenho sempre que me cruzo com o Luís. Quando me disse que ia para Paris em Junho não resisti e sugeri-lhe "Até lá, sempre que nos encontrarmos tiro-te uma fotografia". A resposta dele está aqui. Ganho eu, ganham vocês e ganha o Alfaiate. Espero que ganhe o Luís também
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