domingo, 13 de janeiro de 2019

10 anos de Alfaiate


10 anos, até para um octogenário, são isso mesmo que acabei de dizer: 10 anos. Para alguém que, como eu, não chegou sequer aos 40, 10 anos são muita coisa mais. Completaram-se 10 anos de Alfaiate. Muita coisa mudou no mundo entretanto. Primeiro que tudo: (quase) toda a gente sabe o que é um blogue. Já para não falar que, volvidos estes 10 anos, torna-se difícil encontrar alguém que, entre blogger, wordpress, tumblr, facebook, instagram, linkedin, snapchat, twitter e pinterest, não tenha tido – em algum canto da internet – uma página pessoal onde se tenha entretido a publicar palavras, imagens ou vídeos, para uma audiência muito ou pouco alargada.

Já devo ter escrito por aqui muitas vezes que este blogue mudou a minha vida. Curiosamente nunca me apresentei  como blogger. Era, sou e até ver continuarei a ser, um tipo que tem um blogue. Ou dois (mas sobre isso já falamos mais à frente). Este blogue trouxe-me muita coisa boa e, gosto de pensar, que também ele terá trazido momentos engraçados àqueles que aterraram por aqui. Posso dizer – com toda a humildade – que sinto que trouxe alguma coisa de singular. Talvez porque quando o Alfaiate  apareceu, pouca gente em Portugal tinha perdido muito tempo a abordar pessoas na rua. Mas também porque, nesse universo interminável de blogues cujos autores fotografam gente pelas ruas desse mundo fora, desconfio que este teve quase sempre uma abordagem mais pessoal, humana e, aqui e ali, mais literária também. Mas 10 anos são isso mesmo: 10 anos. E deve ser fácil de perceber, para os poucos que ainda aqui passam, que me fartei de fotografar gente na rua. Da mesma forma que, para ser completamente honesto, também me fartei um pouco de responder às pessoas que, tão simpaticamente, ainda me perguntam “porque não o voltas a fazer? (qual prova de que às vezes – maldita condição humana – também nos fartamos das coisas pelas quais devemos ser gratos)

A dada altura passei a ter a sensação de que tudo o que me acontecia na vida decorria, directa ou indirectamente, do facto de ter começado um dia este blogue. Agora há duas coisas que – para além de qualquer dúvida – nunca teria feito se não tivesse começado um dia O ALFAIATE LISBOETA. Uma é a marca CAIÁGUA, que acabou de estar presente na Pitti Uomo, a convite da organização. “Os caiáguas” são aquilo que costumo descrever, de forma divertida mas a falar a sério, como os mais bonitos  casacos impermeáveis do mundo.

A outra é algo que, a dez anos de distância, me faz lembrar este blogue. O quê? Um outro blogue. A HOUSE IN LISBON. E se acho que consegui fazer algo de singular com o que muita gente entendeu apelidar de moda, o desafio é ainda maior quando se trata de fazer um blogue sobre imobiliário. De resto aquilo que só hoje é inaugurado, já me valeu uma história única. Mas isso ficará para outras núpcias. Por ora deixo-vos aquilo que pretendo que seja uma abordagem transparente ao imobiliário nacional e, mais em particular, à transformação urbana que Lisboa e arredores têm assistido nos últimos anos. A HOUSE IN LISBON. Espero que gostem. A mim já me está a dar o mesmo gozo pueril que senti, neste  preciso sítio, há exactamente 10 anos

Um abraço e (muito) obrigado,


José Cabral

2 comentários:

Leticia disse...

Parabéns, Zé!

Alexandra Melo disse...

Olá parabéns pelo seu texto pareceu-me bem honesto e humilde e como diz no post é sem duvida uma singularidade sobre um blog de moda, talvez ao contrario do meu blog onde o nome do dominio é sobre moda mas o conteúdo pouco retrata a moda.É muito raro eu comentar em blogs portugueses, não porque me ache superior de forma alguma pelo contrario sinto uma frustração com a falta de interação comentarios troca de ideias com bloggers de portugal ao contrario de outros países onde se comunica muito bem, este paragrafo aqui é algo que nunca vou entender...Os meus comentarios por vezes são extensos acho que se comunica ou se for para deixar uma palavra como ex: Gostei muito vale mais não fazer nada. E agora sim gostei bastante da simplicidade do posts.