“Já não há mais
tempo, temos que fechar o livro” dizia-me o Rui Garrido, director de arte
da Leya, enquanto olhava para o calendário e fazia cálculos mentais entre os timings de impressão e as datas
previstas para o lançamento. E eu desgastava-lhe a paciência “vais adorar esta
foto, vais perceber a minha insistência”. Ao que ele me respondia “Zé... vai sempre haver mais uma fotografia”. E tinha razão. É isso que sinto às vezes. E foi isso
que eu senti quanto fotografei esta miúda grega ali no Chiado. Senti que, se
dependesse de momentos como este, o livro jamais estaria fechado
sou o único gajo que me foi dado a conhecer que tem a frequência 101.5 FM (Lisboa) sintonizada no rádio do carro. Desconfio que isso diga alguma coisa sobre a minha estética pessoal. Suponho que isso explique – de algum modo – porque raio adormeço tantas vezes ao som desta música
Heloísa Eneida Menezes Pães Pinto Pinheiro. Foi ela a famosa Garota de Ipanema que encantou o Jobim e o Moraes, o Brasil e o resto do mundo. “Ela tinha 18 anos, a garota de Ipanema, tão bela, tão simpática” recorda mais tarde o Vinicius, numa actuação em Milão. “Lembra Tom?” insiste. “Quando passava na frente do bar, tomávamos... um aperitivo”. “Aperitivo?” pergunta o Jobim. E o Moraes faz que sim com a voz e a cabeça, ao mesmo tempo que segura o microfone com uma mão e pousa a outra no piano do amigo (que esboça um sorriso, como quem desfruta também do charme com que aquele brasileiro velho presenteia a plateia). Não é um cromo qualquer a tentar debitar umas palavras em italiano. É o Moraes, o Vinicius de Moraes, a partilhar, num latim escorreito, a razão de ser da lírica mais conhecida do Bossa Nova. “Nós a acompanhávamos até o mar” lembra ele – antes de retomar aquele célebre refrão em uníssono com o Jobim – naquele tom meio saudoso meio malandro que a um homem daquela idade confere um encanto tão especial. Não as acompanhei ao mar mas escutei, já de costas, uma delas perguntar às demais “vamos à água?”. Talvez um dia recorde, sem piano nem história, com o António, o Ayres, o David ou o Domingos “aquelas miúdas que fotografei na praia”. Não importa. A questão é... será que alguém levou um dia o Tom Jobim e o Vinicius de Moraes à Praia Grande?
É sempre engraçado quando, num país que não é o nosso, alguém nos exclama "eu conheço o teu blogue". Não foi por acaso. Foi porque a Silvia também tem um blogue. Este blogue