sexta-feira, 5 de abril de 2013

A beleza das coisas simples

Beauty lies in the simplest of things Beauty lies in the simplest of things (II)

Quando se é autor de uma publicação como esta uma das piores sensações que se pode experimentar é sentir que não estamos à altura da situação. E não estar à altura da situação é, por exemplo, não ter a máquina connosco quando estamos perante alguém que adoraríamos ter por aqui. Não estar à altura da situação é sentir que temos um blogue que mudou a nossa vida e não lhe prestamos sequer a deferência de transportar a câmara connosco quando saímos de casa. No contracto social que tenho comigo mesmo enquanto autor deste blogue está algures decretado que não farei jamais o que quer que seja que não me apeteça fazer. Que não transportarei a máquina quando me apetecer dar uma volta de mãos nos bolsos, que não andarei à procura de alguém nem que se tenham passado duas semanas sem fotografar ou que não redigirei um texto apenas porque faz tempo que não escrevo um. E sinceramente, acho que é esse o segredo para continuar a vir a esta página com prazer. Talvez não a visite ou edite tão frequentemente como dantes. Talvez se passe um mês sem espreitar as estatísticas (que há 2, 3 e 4 anos verificaria diariamente) e talvez uma data de pequenas coisas que, se no passado me preocupavam, hoje não me dou sequer conta delas. Mas há coisas que não mudam. E uma delas é o gozo que tudo isto ainda me vai dando. O gozo que é sair para comprar pão, manteiga ou leite (ou o que quer que me faltasse para um pequeno almoço de Sábado) e tirar uma(s) fotografia(s) desta(s). O tal gozo que me fez iniciar este blogue. O gozo de me cruzar algures nesta capital (cada vez menos) periférica com pessoas que o nosso senso diário entende como “comuns”. O tal conceito de pessoa que podemos encontrar ao nosso lado na escola, num banco (instituição financeira ou assento estreito e comprido colocado num jardim), num escritório, num atelier, numa oficina ou numa superfície comercial. O tal conceito de pessoas que o nosso imaginário idealiza encontrar no metro, no eléctrico, no autocarro, na passadeira ou no semáforo. O tal tipo de pessoa que de tão genérico que é deixa de ser um tipo. E é neste momento que me recordo daquilo que achei outrora ser o maior propósito deste blogue. Um elogio à suposta banalidade. Um elogio aquilo que temos por “comum” (adj. 2g: do uso ou domínio de todos os de um lugar ou colectividade; que acontece ou se encontra com frequência ou facilidade; que tem características que se encontram em muitos exemplares; que é considerado geral, habitual normal) [in dicionário Priberam da Língua Portuguesa]. E agora que olho para esta imagem (cuja simplicidade – umas botas e uma gabardina – serve tão bem este propósito) e me lembro que foi tirada num Sábado de manhã enquanto esperava que chegassem as carcaças que me iriam servir de pequeno almoço dou-me conta que, das 1001 coisas que me propus fazer na vida, esta tal de elogiar a suposta banalidade (e de dar o devido valor às pequenas simplicidades da vida), foi seguramente a que cumpri melhor


[estas mesmas coisas simples podem ser vista aqui]

13 comentários:

A Muito Pipi disse...

Para mim é mesmo essa a essência do Alfaiate Lisboeta. Sentir-se esse prazer, essa originalidade e essa fidelidade a si mesmo.
Muito pode, de facto, mudar. Mas havendo paixão concerteza haverá visitantes que a sentem e que desejam fazer parte dela.

Lauren@Styleseer disse...

Great outfit. She looks super cool.

Richter disse...

óptimo trabalho! Muitos parabéns :)

Insanely It disse...

É por tudo isso que eu gosto deste blog! Pelas boas fotos e pelos textos genuínos (e muito bem escritos - coisa que se vê pouco por estas bandas...). E essa miúda tem mesmo estilo! Que inveja! :)

Anónimo disse...

Adoro estas fotos!... as roupas, a posiçao corporal da miuda e, mais do que tudo, o texto. Parabéns pelo excelente trabalho!

Bi Cardoso disse...

"Less is more", aqui aplica-se na perfeição. Mais um olhar, mais um sorriso, mais um flash, mais um momento feliz ... também. do "Alfaiate de Lisboa", claro.Gosto muito, sempre!!!

Anónimo disse...

Rua estranha para esperar por carcaças ;)
Parabéns pelo trabalho e pelo sucesso.
Maria

Teorias sem Garantia disse...

"Há pessoas tão aborrecidas que nos fazem perder um dia inteiro em cinco minutos." (Jules Renard) e depois há as outras... aquelas que nos fascinam e que nos fazem ganhar o dia num segundo!!! :-)

Anónimo disse...

um movimento muito giro e focado no sorriso. Parabéns. PP

Beatriz disse...

O sorriso torna a foto maravilhosa :)

my precious L. disse...

Soberbo.. Tudo. A simplicidade e e elogio que lhes dás neste blogue.

carla ferreira disse...

Parabéns muito bom seu blog,sucesso

MGM Club disse...

Este blog está excepcional. Excelente mesmo. Muitos Parabéns