segunda-feira, 11 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Confesso que às vezes

Confesso que às vezes não me fico por um 1º olhar

não me fico por um primeiro olhar. Volto a olhar discretamente como quem tenta confirmar a primeira impressão que havia ficado antes. E depois há as vezes, estas vezes, aquelas em que uma visão de relance apenas me basta para saber que quero tirar aquela foto, para saber que quero fazer ali um novo post. Esta foto, este post

terça-feira, 28 de setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Teorias sobre salinidade e beleza feminina

Leonor

Tinha um colega de faculdade que dizia que a mulher da vida dele haveria de ser uma daquelas miúdas giras que, depois de um dia de praia e meio quilo de sal e areia em cima, permanece linda e garbosa. E lá concretizava com uma miúda de Economia que fazia Direito connosco que, segundo ele, nunca a tinha tão visto tão “louca” como no dia em que se havia cruzado com ela numa praia da Comporta. Quando há bocado olhei para a Leonor e para os vestígios de quem antes passou pela praia, não vi apenas uma miúda linda e simples (ou deverei dizer “simplesmente linda”?). Vi também o Manel e as suas teorias sobre salinidade e beleza feminina. O Manel conhece este blog e no dia que ler isto há-de se perguntar “mas como é que aquele c#!%#& se lembra daquilo?”. É que eu também tenho as minhas teorias e nelas, ao lado desta imagem da Leonor, aparece também a tal miúda de Economia

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Madalena, o vestido da Madalena, os quadrados do vestido da Madalena e o blog da Madalena (Praia do Algodio)

Madalena

Convidar estranhos a tirar uma fotografia é estranho. Passar a fazê-lo por sistema ainda mais. Ganha-se o hábito, aprimora-se o jeito e a coisa, mais acerto menos acerto, começa a dar ares de rotina. E como em tantas outras coisas neste blog, vou experimentando e testando para que, a minha existência - ao menos aqui - não caia também na rotina. Mas não depende de mim apenas. Porque se de mim dependesse já teriam passado aqui crianças. Mas se já é estranho abordar um estranho, mais estranheza causa pedir ao tal estranho que não estranhe abordagem tão estranha:
- Posso fotografar o seu filho?
E por isso nunca o fiz antes.

Este blog tem boa energia. Isso ninguém lhe tira. E contagia. Não tivesse essa capacidade e esta foto não existiria. E esse seu é o maior mérito. Dele, não meu. Porque a energia não é minha. Por um motivo muito simples. Porque o blog também não é meu. É do Gonçalo, do João, do Rui e do Kenzo. Do senhor Horácio, do Yim, da Yen, da Maria e do Alex. É do casal de velhinhos que fotografei no Cais de Gaia, do Ayres (e do seu avô), do Nana, do Sebastiano, da Iara e da Namalimba. É o blog do Sr. Nicolau, a quem ainda há bocado, na mesma Praia da Baleia, perguntei de braço estendido e dentição à vista "está recordado?!". É do Luigi, da Osíris, da minha irmã, da Baiba e da Thaís. Do James, da Pureza, da Pri e da Dasha. Do Varela, do José Luís e da Rebecca. Da Marcela, do Sebastiano, da Ann-Krintin e da Camila. É também o blog do Simon e da Sanna, da Sancha e do Vitório, de dois fuzileiros com quem me cruzei um dia, da Charlotte, das raparigas da faixa azul, da Virve e do meu pai. E é também, a partir deste preciso momento…o blog da Madalena

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Simplicidade austríaca num jardim lisboeta

Simplicidade austríaca num jardim lisboeta
Simplicidade austríaca num jardim lisboeta

É bem possível que tenha perdido o cartão com o link deste blogue e que nunca veja estas fotos. Mas se por acaso as encontrar tenho a certeza que vai gostar. E é isso que me faz manter este blogue. Mais que um retrato duma cidade, da sua gente ou da sua moda. É por isso que mantenho este blogue. É que ninguém me tira da cabeça que (se algum dia vir as fotos) ela vai gostar. É essa a razão de ser deste blogue

terça-feira, 7 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Carrer de Colom – e o trânsito parou

Carrer de Colom – e o trânsito parou

[o que vocês não sabem e eu, para ser completamente sincero, estava com vergonha de dizer (surpreendentemente ainda me parece restar alguma) é que estive 10 minutos à espera (ok...15) que a Helena saísse da loja onde a vi para tirar esta foto. não é a primeira vez que o faço, duvido que tenha sido a última]

terça-feira, 31 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

cinco meses, cinco jardins



Um londrino passa o dobro do tempo que um lisboeta nos parques da sua cidade.

Só no centro histórico de Tallin há mais 23 esplanadas que em Lisboa e toda a sua área metropolitana.

A percentagem de executivos suecos que usa fatos de linho é o dobro da dos executivos portugueses.

Os habitantes de Dublin sorriem, em média, mais 2,43 vezes por dia que os lisboetas.

Em média, um guarda-roupa duma madrilena tem mais 4 mini-saias que o de uma lisboeta

Em pleno Dezembro, há cerca de mais 5.000 ciclistas nas ruas de Riga que nas nossas avenidas.

Entre 21 de Dezembro 21 de Março um milanês, em média, junta-se 7 vezes mais com os seus amigos depois do trabalho que um lisboeta (essa mesma relação, entre 22 de Março e 20 de Junho, dispara para 11 para 1)

A probabilidade de um lisboeta experimentar, a partir das 17h de Domingo, um sensação de apatia aguda ou leve depressão por não conseguir tirar da cabeça a ideia de que terá que trabalhar no dia seguinte é 9 vezes superior à dum berlinense.

Por ano, realizam-se 3 vezes mais concertos ao ar livre em Bruxelas que em Lisboa.

Um adolescente moscovita tem 3,5 vezes mais lata para abordar a miúda que mora na rua da frente com quem se cruza diariamente enquanto ambos passeiam seus cães que um adolescente lisboeta (sabendo-se que este último, apesar de ter a jogar a seu favor uma probabilidade 7 vezes inferior de estar a chover e 23 de estar um frio de rachar, prefere tentar encontrá-la no Facebook)

É caso para dizer que, à boleia de todas estas improbabilidades estatísticas tão difíceis de justificar ou sequer perceber, as probabilidades de um festival como o Out Jazz se realizar numa outra qualquer cidade europeia com muitos menos condições do que aquelas que reúne Lisboa seriam elevadíssimas. O espírito da publicação destes dados não é tanto troçar de nós próprios (o que também não deixa de ser um exercício saudável) mas aclamar os eventos que nos incentivam a gozar o melhor de cada cidade. E a boa notícia é mesmo essa. O Out Jazz é cá. São 5 meses de actividade ininterrupta espalhada por 5 jardins diferentes onde o Jazz (e não só) serve(m) de óptima desculpa para nos deitarmos numa toalha, na relva ou num daqueles puffs a ouvir quem por lá passa. Um convite em aberto para desfrutar dum final de tarde melodioso num cenário em tons esverdeados. De Maio a Setembro o Out Jazz desfila por cinco jardins da cidade, onde, a cada Domingo, aparece uma banda e um d.j. diferentes. Este post teria tido bem mais sentido no último fim-de-semana de Abril que no último de Agosto mas, mea culpas à parte, só conheci o festival este ano (já a meio da sua 4a edição). Mas resta ainda um mês de Jazz. A quadra da Torre de Belém fechou hoje, a da Tapada das Necessidades reabre no próximo Domingo e, como assegurar-vos-á qualquer pessoa que já tenha por lá passado...vale a pena...mesmo. Ao ponto de vos prometer que – inspirado pela letra da Cesária Évora que o d.j. de serviço do outro Domingo passou em versão remisturada – se forem até à Tapada das Necessidades num qualquer destes próximos Domingos, de Setembro deste ano até Maio do próximo, não é apenas do bom tempo que vão ter “saudade”. A sério que não

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Postal do Báltico

Postal do Báltico

então meu, tudo bem?

não te vou mentir, por mais mulheres bonitas que possas encontrar em Riga não tens vislumbres destes a cada esquina. daí chamar-lhe postal. a Baiba tem mesmo qualquer coisa de especial e, no fundo, esboça na perfeição o retrato cosmopolita que fiz do Báltico. por aqui, meio mundo anda com os seus PCs e MACs às costas porque existe uma infinidade de sítios onde, muito facilmente, poderá fazer uma qualquer consulta online. como imaginarás, para um saloio como eu que, no trabalho, sempre que tem necessidade de visitar um site que não esteja relacionado com Banca se vê obrigado a ir até à Junta de Freguesia da Terrugem, é uma vantagem que levo muito a peito. mas o que mais me marcou foi a forma natural como olham para um forasteiro que lhes sugere uma foto. essa espontaneidade... a confiança com que se encara um perfeito estranho ou a facilidade com que se o convida para a festa de anos à qual se planeou ir mais logo, isso sim, isso foi sem dúvida aquilo que mais me marcou

jantamos Sábado, abraço

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O super-homem da Kristine

O super-homem da Kristine
O super-homem da Kristine (2)

(entre muitas outras coisas) podem encontrar acessórios como este... [mais ou menos originais, mais ou menos arrojados...] aqui

domingo, 15 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

O orgulho

Orgullo (1)
Orgullo (2)
Orgullo (3)
Orgullo (4)

"nunca vi tantos paneleiros na minha vida". Foi assim que começou a minha passagem pela parada gay. Foi no táxi que apanhei no aeroporto que soube do evento. Pelo motorista, um madrileno de 25 anos que antes de andar nas rondas trabalhou 5 anos nas obras. Com base no meu senso-comum repleto de presunções sociológicas diria que dificilmente um português com a mesma trajectória falaria daquele evento num jeito tão natural. Sem um único travo de crítica ou escárnio. Falámos da parada da mesma forma que percorremos os caminhos das nossas selecções na África do Sul ou que trocámos números sobre a taxa de desemprego de cada um dos nossos países. Fui a Madrid visitar um amigo e curiosamente foi ele (que não é propriamente o mais gay friendly dos meus amigos) quem sugeriu que passássemos pela parada. E foi já no meio da festa que repeti com surpresa sincera "foda-se, nunca vi tantos paneleiros na minha vida". "paneleiro" é um termo feio. Primeiro na sua fónica e depois no seu sentido. Tanto assim é que o emprego mais vezes para falar de tipos que não me merecem o respeito que propriamente de tipos que se deitam com outros tipos. Mas não é sobre palavras ou glossários pessoais que me apetece falar. Até porque não planeio fazer nenhum mea culpa por não empregar os vocábulos mais precisos ou diplomaticamente correctos. É sobre a diferença, e sobre a forma como a olhamos. Parece reinar uma obsessão de identificar tudo o que se destaca daquilo que temos por regra. E de aplicar uma censura social em torno dela. Mais que uma lei ou uma proibição, a censura sobre o que quer que não ande alinhado com uma dada consciência colectiva pode ser a forma mais cruel de julgar alguém. Enquanto corríamos os inúmeros autocarros que compunham a parada ia reparando na quantidade de homens musculados, de traços viris e aparência masculina que iam revolucionando q.b. a minha visão pré-definida, limitada e um tanto ou quanto arcaica daquela que é ou deixa de ser a imagem de um gay. Não vos vou dizer que me é completamente indiferente ter ao lado um bodybuilder a olhar-me de alto abaixo como se eu fosse o seu brinquedo sexual predilecto para aquela noite mas a verdade é que não estou em condições de vos garantir que, nunca na vida, lancei olhar idêntico a uma miúda bem feita e, entre uma atitude e outra, não vejo porque raio a do matulão madrileno haverá de ser mais censurável que a minha.

Não nasci ensinado a lidar com a diferença. Devia ter uns 12 ou 13 anos quando numa manhã ia a passar junto à secretaria da minha escola. Na fila estava o único rapaz do liceu que nunca se deu ao trabalho de negar que simpatizava com moços bonitos. Lembro-me tão bem… Passei e comentei alto "as bichas na bicha". E fi-lo com a sensação que estava a proclamar o trocadilho mais sofisticado à face da terra. Acendeu-se um rastilho de esgares e risadas em torno do miúdo que já parecia lidar com colegas estúpidos como eu como se de uma inevitabilidade nos tratássemos. Não foi há muito tempo que me cruzei com ele de novo. Faltou-me coragem para o abordar e pedir desculpa por qualquer mau bocado que a minha brejeirice lhe tivesse infligido um dia mas, em verdade vos digo, sinto-me em falta com ele. A censura social consegue ser, muitas vezes, mais castradora que qualquer lei. Tenho a certeza que o número de aceleras que se gaba de fazer parte do percurso entre Lisboa e Porto ao dobro do permitido por lei vai diminuir brutalmente, não no dia em que as penas se agravaram, mas na hora em que sentirem que o indicador do seu velocímetro não merece mais a aprovação daqueles que os rodeiam. E parte do problema da intolerância sexual reside precisamente no facto de, em muitos meios tidos como sofisticados, se cultivar uma certa homofobia. Reside no aparente orgulho que parece existir entre aqueles que rejeitam qualquer diferença relativa à sua própria condição. Chego a ficar com a sensação que a homofobia é para muitos homens, uma forma de afirmação da sua própria virilidade, como se a rejeição de uma orientação sexual diferente da sua lhes assegurasse, simultaneamente, níveis olímpicos de testosterona e o reconhecimento da sua masculinidade pelos seus pares.

Para uma criança o sentimento de marginalidade é provavelmente o cenário mais aterrador que se lhe poderá desenhar. Num ambiente homofóbico, qualquer adolescente que sinta atracção física por alguém com quem partilhe o balneário arriscar-se-á a sentir isolado num mundo que não lhe parecerá ter sido desenhado à sua medida. Arriscar-se-á a sentir que, ele mesmo, não tem lugar na concepção de condição humana que lhe transmitiram e que ele próprio assimilou. É assim que imagino uma miúda que se dê conta que o seu ser a impele para uma referência corporal feminina ao invés das idealizações masculinas que o mundo em que ela se inscreve lhe impinge. E este direito, o de projectarmos os ímpetos sexuais que nos impelem sobre o género que bem entendermos deveria ser um direito inalienável, tal qual… (repito, tal qual) o direito à declaração pública dos nossos afectos. E sinceramente, dispenso grandes erudições ou reflexões académicas sobre a matéria. A resposta está no mundo físico, tangível e acessível a todos. Porque a minha orientação sexual se exprime através de uma coisa muito simples – a minha pila. Porque nem o mais bem-falante behaviorista me conseguiria convencer de que a minha sexualidade não acabaria sempre por ser comandada por ela. Porque ela nunca me deu a escolher sobre os critérios que determinam a sua erecção. Porque ela não me perguntou nunca se eu queria ou não sentir tesão por mulheres. Não escolhi gostar de peles sedosas, braços delicados ou contornos femininos. Não escolhi, na minha infância, ter amores platónicos pelas minhas primas mais velhas, sentir-me atraído por amigas mais novas lá de casa ou, já na adolescência, ter tido sonhos molhados com a filha de uns amigos de uns amigos com quem me cruzei numa festa. Não escolhi ser muito ou pouco normal aos olhos dos outros. Não escolhi gostar de mulheres. Como também não vou poder escolher pelo meu filho. Não vos vou mentir. O ideal tipo para a minha descendência não passa por ter um filho gay. Agrada-me pensar que o meu filho saia com metade das miúdas de Lisboa e tenha a outra metade a suspirar por ele. Que seja respeitado entre o seu grupo de pares, que prefira apanhar umas chapadas a virar as costas a um puto que o insulte; que seja inteligente, bonito, dotado de sentido de humor e, já agora, que não seja o puto que, invariavelmente, passa o jogo inteiro à baliza. Eu tenho direito a traçar os ideais tipo que bem entender para o meu filho. O que não me permito é amá-lo menos se ele não for nada do que eu tiver idealizado. Se for o miúdo a quem roubam recorrentemente o lanche no recreio, a quem ordenam que passe o jogo inteiro na baliza ou aquele que venha um dia a gostar de rapazes.

A parada é um fenómeno impressionante. E estava realmente impressionado com a quantidade de (supostos) “paneleiros” que estava a ver naquele dia. Vi dezenas de autocarros numa avenida que desistimos de percorrer ainda a meio. Pedi autorização para subir àquele cujo visual me agradou mais e tirei meia dúzia de fotos indiscriminadamente. E foi neste autocarro que nasceu este post. E ainda bem que o escrevi. Porque se o fiz foi porque aquilo que me faz sentido neste blog é escrever sobre o que cada um dos meus retratos me diz, sobre o que cada um destes retratos me lembra e sobre cada um dos sítios para onde estes retratos me transportam. Porque, na verdade, o orgulho que dá o nome a este post não é necessariamente o orgulho gay. É também o orgulho que tenho em ter escrito este post. Porque se deixar os meus amigos homofóbicos a fazer contas de cabeça é sinal que já valeu bem a pena tê-lo escrito. Porque se não tivesse tido coragem para o ter escrito aí sim… Independentemente dos meus apetites e voracidades sexuais… Se qualquer receio me tivesse impedido de escrever este post… Aí sim, aí seria um grandessíssimo paneleiro